Indicado ao governo do Rio por Flávio Bolsonaro e delegado da PF são presos por elo com o CV
Alessandro Carracena, ex-secretário de Esportes, era o contato de Flávio dentro da gestão Cláudio Castro
Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro - Imagina: Frame de vídeo da TV Globo/Reprodução O Palácio Guanabara e o clã Bolsonaro estão novamente sob o impacto de uma operação da Polícia Federal que atinge o núcleo político do estado do Rio de Janeiro e a própria da corporação. Na manhã desta segunda-feira (9), a Operação Anomalia prendeu o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, homem de confiança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na gestão Cláudio Castro, indicado pelo próprio filho do ex-presidente, e o delegado da PF Fabrizio Romano.
A investigação aponta para um esquema de venda de influência e negociação de vantagens indevidas que teria como objetivo final favorecer um traficante internacional de drogas pertencente à cúpula do Comando Vermelho (CV).
O “elo” de Flávio Bolsonaro
Alessandro Carracena não era um nome qualquer na gestão de Cláudio Castro. Ele é apontado como uma indicação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à Presidência da República. No xadrez político fluminense, Carracena era considerado os “olhos e ouvidos” do senador dentro do governo estadual, garantindo a interlocução da família Bolsonaro com a máquina administrativa do Rio.
Segundo as investigações, Carracena teria articulado o grupo criminoso ao lado de advogados, funcionando como uma ponte para viabilizar pagamentos em dinheiro e favores ilícitos.
A conexão com o tráfico internacional
A gravidade da operação reside na acusação de que agentes do Estado e figuras políticas de alto escalão estruturaram uma associação criminosa para servir aos interesses do narcotráfico. O foco era o tráfico internacional, utilizando a influência de Fabrizio Romano dentro da PF para blindar ou facilitar operações ligadas ao CV.
Os números da Operação Anomalia:
- Mandados de prisão preventiva: 4 (incluindo Carracena e o delegado Fabrizio Romano).
- Mandados de busca e apreensão: 3, todos cumpridos na cidade do Rio de Janeiro.
- Foragidos: Uma advogada, também alvo de prisão preventiva, segue sendo procurada pela polícia.
Determinação do STF
As prisões e buscas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o afastamento imediato dos investigados de quaisquer funções públicas. O inquérito revela uma trama de crimes contra a administração pública que, agora, coloca o governo de Cláudio Castro e a pré-campanha de Flávio Bolsonaro sob intensa pressão política e jurídica.
Até o fechamento desta matéria, a defesa de Alessandro Carracena e o gabinete do senador Flávio Bolsonaro não haviam se pronunciado oficialmente sobre as prisões.



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