Fachin defende inquérito do Banco Master: “Doa a quem doer”
A reunião ocorreu poucos dias após Mendonça autorizar a terceira fase da operação conduzida pela Polícia Federal
rep. publ. internet/DCM/Ministros Fachin e Mendonça O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu na noite da última segunda-feira (9) com o ministro André Mendonça, relator das investigações que apuram fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O encontro ocorreu fora da agenda oficial de Fachin e acontece em meio à repercussão das novas fases da Operação Compliance Zero e das revelações sobre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A reunião ocorreu poucos dias após Mendonça autorizar a terceira fase da operação conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Na última quarta-feira (4), Vorcaro foi preso novamente em São Paulo durante o avanço da operação.
Após a prisão, o banqueiro foi transferido na sexta-feira (6) para a Penitenciária Federal de Brasília, unidade destinada a presos considerados de maior risco ou que demandam maior segurança.
O encontro entre Fachin e Mendonça também acontece após supostas mensagens de Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025.
As mensagens teriam sido identificadas a partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal durante a investigação. Após a divulgação do conteúdo, o Supremo divulgou nota afirmando que Moraes nega ter recebido as mensagens enviadas pelo banqueiro.
Ao longo da segunda-feira, Fachin também conversou com outros ministros da Corte sobre o cenário criado pelas investigações, de acordo com informações do G1. O assunto teria sido tratado inclusive com Alexandre de Moraes, que ocupa atualmente a vice-presidência do Supremo.
Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF
Nos bastidores do tribunal, ministros têm demonstrado incômodo com a condução das apurações pela Polícia Federal no caso envolvendo o Banco Master. Além disso, há pressões internas para que o presidente da Corte se manifeste publicamente sobre o episódio das mensagens atribuídas ao banqueiro.
Na mesma noite, Fachin também se reuniu com a diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Durante o encontro, a investigação sobre o Banco Master também foi discutida.
Segundo relatos, o presidente do STF teria defendido o andamento das investigações e afirmado que todas as apurações devem ocorrer “doa a quem doer”, com o objetivo de preservar a instituição.
Após a reunião, o presidente da OAB, Beto Simonetti, informou que a entidade decidiu solicitar acesso irrestrito ao material já produzido nas investigações. Simonetti também afirmou que a ordem pretende pedir uma reunião com o ministro André Mendonça, relator do caso, embora ainda não haja data definida para o encontro.



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