China e EUA retomam negociações comerciais sob tensão após novas investigações de Washington
Ministério do Comércio da China refutou as acusações dos EUA, salientando que os EUA manipulam há muito tempo a questão do "trabalho forçado"
Bandeiras dos EUA e da China (Foto: CGTN) rep. publ.247 As delegações da China e dos EUA se reuniram no domingo (15) em Paris, na França, para negociações sobre questões econômicas e comerciais, informou o Diário do Povo.
Guiados pelos importantes consensos alcançados entre os chefes de Estado dos dois países durante sua reunião em Busan, na Coreia do Sul, e todas as ligações telefônicas anteriores, os dois lados se envolverão em consultas sobre questões econômicas e comerciais de interesse mútuo, disse um porta-voz do Ministério do Comércio da China em comunicado na sexta-feira.
A delegação chinesa é liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng, também membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China.
Novas tensões
Ainda de acordo com o Diário do Povo, na segunda-feira, Beijing manifestou firme oposição à decisão dos EUA de iniciar uma investigação, com base na Seção 301, contra 60 economias, incluindo a China, afirmando que tal decisão perturba seriamente a ordem econômica e comercial internacional.
A investigação, anunciada pelos EUA em 12 de março, horário local, em relação ao que alegaram ser falhas na proibição da importação de bens produzidos por meio de "trabalho forçado", seguiu-se a outra investigação, também com base na Seção 301, iniciada apenas um dia antes, sobre a chamada questão da "excesso de capacidade", observou o Ministério do Comércio em um comunicado.
O comunicado refere que a China já apresentou suas reivindicações aos EUA, em meio às consultas bilaterais econômicas e comerciais em andamento em Paris, França.
"Instamos os EUA a corrigirem imediatamente seus erros, a procurarem um consenso com a China, a aderirem ao princípio do respeito mútuo e da consulta igualitária, e a encontrarem uma solução para o problema, por meio do diálogo e da consulta", diz o documento.
Um porta-voz do ministério refutou as acusações dos EUA, salientando que os EUA manipulam há muito tempo a questão do "trabalho forçado" e impõem uma série de restrições comerciais à China, com base em alegações fabricadas.
A China, membro fundador da Organização Internacional do Trabalho, ratificou 28 convenções internacionais e estabeleceu um sistema abrangente de leis e regulamentos para prevenir e combater o trabalho forçado, afirmou o porta-voz.
Os Estados Unidos ainda não ratificaram a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930, rejeitando, portanto, normas internacionais vinculativas, enquanto manipulam, há muito tempo, a questão do "trabalho forçado", observou o porta-voz.
A mais recente iniciativa dos EUA de iniciar investigações da Secção 301 contra a China e outras economias, numa tentativa de erguer barreiras comerciais, é unilateral, arbitrária e discriminatória por natureza, e constitui um ato típico de protecionismo, concluiu o porta-voz.
"Este é um erro que se soma a outro, o qual compromete gravemente a segurança e a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento globais e perturba seriamente a ordem econômica e comercial internacional", acrescentou o porta-voz.
A China acompanhará de perto o decorrer da investigação e reserva-se o direito de tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar resolutamente seus direitos e interesses legítimos, afirmou o porta-voz.



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