Grupo extremista de direita ataca escola judaica com explosões na Holanda

A segurança em escolas e instituições judaicas já havia sido reforçada nos últimos dias após incidentes ocorridos em outros países europeus

DCM
Grupo extremista de direita ataca escola judaica com explosões na Holanda Joris van Gennip/de Volkskrant

Um explosivo foi detonado nas proximidades de uma escola judaica no bairro de Buitenveldert, em Amsterdã, em um episódio que autoridades locais classificaram como um ataque direcionado à comunidade judaica. O alvo foi o Cheider, a única escola judaica ortodoxa dos Países Baixos, localizada na Zeelandstraat, região onde vive grande parte da comunidade judaica da cidade.

De acordo com informações do de Volkskrant, o Cheider oferece tanto ensino fundamental quanto ensino médio e atende famílias judaicas ortodoxas. Segundo as autoridades, câmeras de segurança registraram imagens da pessoa que acionou o explosivo. O material está sendo analisado pela polícia.

Nas redes sociais, o jornalista Joe Truzman, do FDD’s Long War Journal, publicou um vídeo do ataque atribuindo a autoria ao Movimento Islâmico dos Companheiros da Direita, grupo extremista que também seria responsável por outros crimes pela Europa.

A segurança em escolas e instituições judaicas já havia sido reforçada nos últimos dias após incidentes ocorridos em outros países europeus. Por causa desse monitoramento ampliado, a polícia conseguiu agir rapidamente após o ataque em Buitenveldert, segundo informou a prefeita de Amsterdã, Femke Halsema.

Nos últimos dias, diferentes episódios envolvendo instituições judaicas foram registrados na Europa. Na madrugada de domingo para segunda-feira, uma grande explosão atingiu uma sinagoga em Liège. Já na noite de quinta para sexta-feira, um explosivo foi colocado na sinagoga de Roterdã, provocando um incêndio. Quatro suspeitos foram presos nesse caso.

O jornal The Jerusalem Post também relatou uma explosão semelhante em um local ainda não identificado na Grécia.

Autoridades holandesas afirmaram que o incidente em Amsterdã foi uma ação direcionada contra a comunidade judaica. A prefeita Halsema classificou o episódio como um ataque grave e afirmou que o caso está sendo tratado com máxima prioridade.

“Isto é um ato covarde de agressão contra a comunidade judaica. Entendo o medo e a raiva dos judeus de Amsterdã”, declarou Halsema em nota oficial. “Eles enfrentam cada vez mais antissemitismo, e isso é inaceitável. Uma escola deve ser um lugar onde as crianças possam aprender com segurança. Amsterdã deve ser um lugar onde os judeus possam viver com segurança”.

O governo nacional também reagiu ao atentado. O primeiro-ministro Rob Jetten afirmou nas redes sociais que pretende conversar rapidamente com representantes da comunidade judaica. “Eles devem sempre se sentir seguros em nosso país”.

O ministro da Justiça, David van Weel, elogiou as medidas de segurança adotadas pelas autoridades de Amsterdã. Segundo ele, a rápida resposta ajudou a limitar os danos. “A segurança das instituições judaicas tem toda a nossa atenção. Os autores estão sendo investigados”.

Prédios religiosos e culturais judaicos nos Países Baixos já recebem forte proteção policial há anos. O esquema de segurança foi reforçado após 7 de outubro de 2023 devido ao aumento da ameaça de ataques antissemitas e intimidações.

Dados da polícia indicam que em 2024 foram registrados 42 casos de violência antissemita no país. No mesmo período, o Centro de Informação e Documentação Israel contabilizou um recorde de 421 incidentes antissemitas, número 11% maior que o registrado no ano anterior.




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