Desemprego atinge 5,8% e é o menor para o período desde 2012
Taxa sobe no trimestre até fevereiro com perda de vagas em setores como saúde, educação e construção, enquanto renda média bate recorde
rep. publ. internet O desemprego voltou a crescer no Brasil no trimestre encerrado em fevereiro, alcançando 5,8% da força de trabalho e totalizando 6,2 milhões de pessoas em busca de ocupação. O aumento ocorre em um período tradicional de desaceleração no mercado, marcado principalmente pela redução de vagas nos setores de saúde, educação e construção. Os dados fazem parte da PNAD Contínua Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o IBGE, o contingente de desocupados aumentou em 600 mil pessoas em relação ao trimestre encerrado em janeiro, embora o índice ainda represente o menor nível para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
A população ocupada no país foi estimada em 102,1 milhões de pessoas, o que representa uma queda de 0,8% frente ao trimestre anterior, equivalente à perda de 874 mil postos de trabalho. Na comparação anual, no entanto, houve crescimento de 1,5 milhão de ocupados, indicando expansão em relação ao mesmo período do ano passado.
A retração no emprego foi mais intensa no grupo que engloba administração pública, educação, saúde e serviços sociais, com redução de 696 mil trabalhadores. Já o setor da construção registrou queda de 245 mil vagas no período.
De acordo com a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, o movimento tem caráter sazonal. “Nos dois casos há influência de movimento sazonal, sobretudo, nos segmentos de educação e saúde, nos quais parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade”, explicou. Ela acrescenta: “A construção também registra menor demanda das famílias por obras e reparos no início do ano”.
Entre as diferentes categorias de ocupação, houve estabilidade no número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que somam 39,2 milhões. Também não houve variação significativa entre trabalhadores por conta própria (26,1 milhões), empregadores (4,2 milhões) e trabalhadores domésticos (5,5 milhões).
Por outro lado, o número de empregados sem carteira assinada no setor privado caiu em 342 mil, totalizando 13,3 milhões de pessoas. Já o contingente de trabalhadores do setor público recuou 3,7% no trimestre, chegando a 12,6 milhões.
A taxa de subutilização da força de trabalho também apresentou aumento, passando de 13,5% para 14,1% no período. Isso representa cerca de 16,1 milhões de pessoas em situação de subutilização, incluindo desocupados, subocupados e aqueles disponíveis para trabalhar, mas que não buscaram emprego.
Apesar da piora em alguns indicadores, o rendimento médio real dos trabalhadores manteve trajetória de alta e atingiu um novo recorde, chegando a R$ 3.679. O valor representa crescimento de 2,0% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% na comparação anual.
Segundo Adriana Beringuy, o avanço da renda está ligado ao aquecimento do mercado. “O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comercio e serviços”, afirmou.
Entre os setores com aumento de rendimento, destacam-se o comércio e reparação de veículos, com alta de 4,1%, além da administração pública, educação e saúde, com avanço de 2,9%. Outros serviços registraram crescimento expressivo de 11,2%.
A taxa de informalidade apresentou leve recuo, passando de 37,7% para 37,5% da população ocupada, o que corresponde a 38,3 milhões de trabalhadores informais. A queda foi influenciada principalmente pela retração na construção civil e em segmentos menos formalizados da indústria e da agricultura.
A PNAD Contínua é considerada a principal pesquisa sobre o mercado de trabalho no Brasil, abrangendo cerca de 211 mil domicílios em aproximadamente 3.500 municípios. A próxima divulgação, referente ao trimestre encerrado em março, está prevista para 30 de abril.



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