Hoje, entre as 10 maiores economias do mundo em 2030, Brasil é a 8ª, diz FMI

O verdadeiro desafio da próxima década deve ser sustentar boas taxas de crescimento em um ambiente global mais instável

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Hoje, entre as 10 maiores economias do mundo em 2030, Brasil é a 8ª, diz FMI rep. publ. internet

O crescimento da economia mundial deve ser moderado até o fim da década, segundo o mais recente relatório econômico do Fundo Monetário Internacional, o World Economic Outlook de abril de 2026.

O crescimento médio global deve se estabilizar em torno de 3,1%, abaixo do padrão histórico pré-pandemia, enquanto riscos — especialmente ligados à guerra no Oriente Médio — seguem pressionando preços de energia, inflação e cadeias logísticas globais.

O pano de fundo, diz o relatório, é de uma desaceleração estrutural e um menor dinamismo da produtividade, somados à fragmentação geoeconômica e aos riscos geopolíticos crescentes.

As maiores economias do mundo em 2030 devem se manter conhecidas, com algumas mudanças relevantes nas dinâmicas de crescimento em relação a 2026.

Confira a projeção dos maiores PIBs do mundo em 2030, em valores absolutos (US$), segundo o FMI:

País     PIB (US$ trilhões)
Estados Unidos     37,68
China (República Popular da)     26,05
Alemanha     6,18
Índia     6,17
Reino Unido     5,15
Japão     5,00
França     4,00
Brasil     3,20
Itália     3,05
Canadá     3,01

Os EUA vão continuar na posição de maior economia global, impulsionados principalmente por inovação tecnológica e ganhos de produtividade, afirma o FMI.

No entanto, o relatório destaca “riscos fiscais relevantes” para o país, como a trajetória crescente da dívida pública e déficits persistentes causados pelo dispêndio governamental, sobretudo aquele motivado pela guerra.

O crescimento norte-americano tende a desacelerar gradualmente à medida que os ganhos tecnológicos convergem para níveis históricos, conclui.

Em segundo lugar, com PIB projetado de 26,05 trilhões de dólares, vem a China, que deve enfrentar alguns desafios em 2030, dentre eles a crise no setor imobiliário.

Um dos países em maior crescimento do mundo, a China vai experimentar envelhecimento populacional e queda da produtividade até 2030, um dos principais vetores da desaceleração global do mundo no curto prazo.

Apesar disso, o país deve se voltar ao consumo interno “em oposição à sua dependência de um crescimento liderado por exportações”.

A Alemanha, principal economia da Europa, apresenta um crescimento considerado baixo, mas persistente. O relatório destaca, para a projeção da década, os efeitos mais duradouros do choque energético e a perda de dinamismo industrial europeia, com níveis de produtividade estagnados.

Intercalados por algumas posições no ranking vêm as outras economias fortes da Europa, inseridas na zona do euro: Reino Unido, França e Itália, cujo crescimento deve permanecer menor do que o esperado.

De acordo com o FMI, isso decorre de um “crescimento reduzido da produtividade total dos fatores”, ou seja, menor eficiência de transformação dos insumos de capital e trabalho em bens e serviços, e da dívida pública do bloco europeu, que pode alcançar 90% do PIB em 2031.

No caso do Reino Unido, as limitações ao crescimento vêm de um ritmo mais lento da sua “flexibilização monetária”, e a França vai experimentar um aumento de poupança privada (fator que restringe o crescimento econômico).

A Itália faz coro às demais economias europeias, mas se destaca por uma dívida pública mais elevada.

A Índia se destaca com a maior projeção de crescimento entre as economias listadas, mantendo uma taxa robusta e estável de 6,5% até 2031. O país tem uma das populações mais robustas do mundo e pode se tornar a terceira maior economia mundial até 2030, superando a Alemanha.

Espera-se que a classe média indiana cresça significativamente até 2040, impulsionando a maior parte das despesas de consumo.

O país tem investido de maneira acelerada em infraestrutura e transição energética, e é um dos motores do crescimento global, segundo o FMI. A potência do BRICS deve revisar suas metas de crescimento para refletir a expansão rápida dos setores produtivos, especialmente tecnologias e manufaturas.

O Japão, apesar da crise causada pelo envelhecimento populacional e uma demanda externa em queda, continua a estar entre as 10 maiores economias do mundo em 2030, com PIB projetado de US$ 5 trilhões.

A economia japonesa consegue estabilizar sua atividade interna por meio de pacotes de estímulo fiscal do governo e de uma demanda interna que ajuda a amortecer os choques de custos de energia, compensando a fraqueza da demanda externa, afirma o FMI.

Apesar disso, o crescimento do país continua a ser baixo, menor do que 1% no médio prazo, o que “acompanha a tendência geral de desaceleração das economias avançadas”.

O Brasil passa, na projeção para 2030, à posição de oitava maior economia do mundo, com PIB esperado de US$ 3,2 trilhões.

O crescimento do país varia a uma taxa de 2,5%, e o FMI destaca “fundamentos macroeconômicos relativamente sólidos”, como boas reservas internacionais e um câmbio flexível que “ajuda a absorver choques externos”.

Além das reservas em moeda estrangeira, o Brasil também é destacado por sua resiliência e crescimento estabilizado, com “grandes colchões de caixa do governo”.

O verdadeiro desafio da próxima década deve ser sustentar boas taxas de crescimento em um ambiente global mais instável, fragmentado e sujeito a choques geopolíticos recorrentes, conclui o FMI.

Para as duas maiores economias do mundo, os principais dilemas devem ser a inflação (no caso dos EUA) e a demanda do mercado interno (no caso chinês).




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