Evitar sanções é um dos pontos prioritários da reunião entre Lula e Trump, diz vice-presidente
Vice-presidente destaca superávit comercial dos EUA e defende isenção de tarifas em produtos para os americanos
rep. publ. internet/Alckmin O governo brasileiro estabeleceu como meta prioritária para o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a neutralização de quaisquer riscos de sanções comerciais. estratégia da diplomacia brasileira consiste em evidenciar o equilíbrio nas trocas comerciais para garantir a estabilidade econômica entre os dois países.
Em entrevista à GloboNews, segundo o jornal O Globo, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, detalhou que o Brasil levará argumentos sólidos sobre a relação bilateral e reforçou que os EUA possuem uma relação de superávit que beneficia os dois lados, fator que deve ser compreendido pela administração estadunidense e pela opinião pública.
“Essa é uma preocupação, é um dos pontos prioritários da conversa, precisamos deixar muito claro para sociedade, opinião pública, e inclusive americanos, que o Brasil e os Estados Unidos tem comércio de superávit, dos dez produtos que eles mais exportam para nós, oito tem tarifa zero”, afirmou Alckmin.
Pauta econômica e minerais críticos
A visita de Lula aos Estados Unidos, acertada por telefone na última semana, ocorre em um momento de atenção. Apesar de a Suprema Corte dos EUA ter derrubado recentemente o imposto de 50% sobre produtos brasileiros, o governo de Donald Trump mantém investigações sobre supostas práticas desleais de comércio por parte do Brasil e da China.
Para ampliar a cooperação e reduzir atritos, o governo brasileiro pretende discutir temas de vanguarda tecnológica e ambiental. A intenção é mostrar que o Brasil é um parceiro estratégico e indispensável para as cadeias de suprimentos modernas.
O presidente Lula tem colocado que não tem tema proibido, então vamos conversar, big techs, terras raras, data centers, política tarifária, não tarifária, tem uma agenda importante”, completou o vice-presidente.
Um dos pilares dessa nova agenda é a exploração de minerais críticos. Washington convidou o Brasil para integrar uma coalizão focada no fornecimento e refino de materiais como lítio, grafita, cobre e níquel, além de terras raras. O projeto prevê parcerias para garantir insumos e a criação de preços mínimos para proteger o mercado.
Soberania e segurança regional
Além das questões financeiras, o encontro abordará temas sensíveis de segurança pública. Existe o debate sobre a classificação de facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos.
Embora o Departamento de Estado dos EUA considere essas organizações ameaças relevantes à segurança da região, as autoridades brasileiras demonstram preocupação. O temor é que tal classificação possa abrir precedentes para intervenções que afetem a soberania nacional do Brasil, como sanções econômicas ou possíveis intervenções militares.



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