PERDIDOS
Nenhum deles me parece mais perdido que Flávio Bolsonaro tentando justificar o clamor pela grana do brother Vorcaro para supostamente concluir o filme sobre a trajetória do pai
rep. publ. internet/ICL Em tempos de Copa, pensem no zagueiro David Luiz desarvorado, em 2014, balançando a cabeleira à Búfalo Bill depois do quarto gol da Alemanha, subindo pro ataque. E no habilidoso Bernard, o menino com alegria nas pernas (apud Felipão), voando vinte e cinco metros após dividir uma bola com o Boateng com menos de um minuto de jogo.
Imaginem a situação de um cangaceiro de Lampião no cerco de Angicos, diante da fuzilaria da volante. Coloquem-se no lugar do arquiduque Francisco Ferdinando vendo Gravilo Princip puxar a arma em Sarajevo. Lembrem -se do maestro Júnior Capacete (craque!) estatelado após tomar um drible do Mendonça, em um Botafogo e Flamengo em 1981. Pensem no Mazukievsk tomando o drible de corpo do Pelé no Brasil X Uruguai na Copa de 1970. Ou no Viktor, goleiro da Tchecoslováquia na mesma Copa, correndo e rezando, absolutamente vendido no lance, ao ver a bola chutada do meio de campo pelo Rei passar rente à trave.
Imaginem como se sentia um apontador do jogo do bicho sendo chamado para uma conversa séria e particular com Castor de Andrade e sendo avisado do seguinte: o homem tá irritado. E como será que se sentiu Dona Cyla Médici, extremamente católica, depois de receber a pombagira Maria Mulambo, tomar cachaça e fumar charuto, assistindo a uma gira de umbanda promovida por Seu Sete da Lira no programa do Chacrinha?
E aquela abian esparramada na esteira durante a primeira bolada pro orixá, ao toque do adarrum? E o sujeito que desfilou de lactobacilo da folia na Porto da Pedra, no histórico desfile do iogurte, e foi reconhecido pela vizinhança? E o camarada que representava o mosquito da dengue na comissão de frente da Unidos do Cabral, escola de samba carioca, e tomava choques de figurantes com raquetes chinesas? Manjam a situação de Napoleão, já meio biruta, em Waterloo?
Nenhum deles me parece mais perdido que Flávio Bolsonaro tentando justificar o clamor pela grana do brother Vorcaro para supostamente concluir o filme sobre a trajetória do pai.
por Luiz Antonio Simas, professor de história, educador popular, escritor, poeta e compositor



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