Ultradireitista Abelardo de la Espriella é o novo presidente da Colômbia
Milionário, costumava viajar em jatos particulares e promovia seus negócios ligados à produção e comercialização de rum e vinho. Em 2023, recebeu a cidadania dos Estados Unidos
Abelardo de la Espriella em sua seção eleitoral em Barranquilla, na Colômbia, no domingo (21) O advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella aparece à frente na apuração das eleições presidenciais da Colômbia e já é tratado como vencedor no chamado “preconteo”.
Com 99,8% das urnas fechadas, ele somava 49,65% dos votos, o equivalente a 12.937.333 votos, contra 48,71% do senador de esquerda Iván Cepeda, que registrava 12.691.709 votos. A diferença entre os dois candidatos era inferior a 250 mil votos.
Apesar da vantagem de De la Espriella, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu cautela e afirmou que ainda é necessário aguardar o escrutínio oficial dos votos. “Não se pode proclamar nenhum presidente. Tranquilidade entre os cidadãos”, escreveu Petro na rede X.
O candidato a vice-presidente na chapa de De la Espriella, José Manuel Restrepo, comemorou o resultado preliminar. “Você conseguiu, Tigre. A Colômbia escolheu um presidente e seu nome é Abelardo de la Espriella. Aqui começa a Pátria Milagre”, afirmou. Após votar em Barranquilla, o candidato destacou a importância da eleição.
“Hoje acontece a partida mais importante da Colômbia. Hoje decidimos o futuro da nossa pátria e o destino dos nossos filhos. Com a ajuda de Deus e o apoio de milhões de colombianos, vamos vencer esta batalha democrática”, declarou.
Abelardo é mais um palhaço que se vende como ‘outsider’. Tem 47 anos. Empresário e advogado, representou traficantes de cocaína. Adora armas de fogo. Em entrevistas, afirmou que, quando criança, costumava amarrar fogos de artifício em gatos e observar as explosões.
Após concluir os estudos básicos, mudou-se para Bogotá para cursar Direito na Universidade Sergio Arboleda, instituição conhecida por sua orientação conservadora. Posteriormente, formou-se pela Universidade del Rosario e, em 2012, obteve o título de mestre em Direito pela Universidade Nebrija, na Espanha.
No início da carreira, trabalhou na Fundação Iniciativas para a Paz (FIPAZ), organização que defendia a realização de um referendo para reconhecer direitos políticos a todos os atores armados envolvidos no conflito colombiano e propunha alterações constitucionais para impedir a extradição de cidadãos. Nesse período, atuou como assessor das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo paramilitar de extrema-direita.
Milionário, costumava viajar em jatos particulares e promovia seus negócios ligados à produção e comercialização de rum e vinho. Em 2023, recebeu a cidadania dos Estados Unidos.
Iván Cepeda afirmou que reconhecerá o resultado das urnas, mas garantiu que sua campanha fará uma observação rigorosa do processo eleitoral. “Todos temos o direito de pensar e agir na Colômbia para construir um destino comum”, disse. Ele também afirmou que, caso vencesse, governaria para todo o país, e não apenas para um setor da sociedade.
A votação transcorreu sem grandes incidentes, embora o Ministério do Interior tenha recebido mais de 2.600 denúncias e reclamações relacionadas a possíveis irregularidades eleitorais.
Entre os primeiros líderes internacionais a se manifestar esteve o presidente da Argentina, Javier Milei, que celebrou o resultado parcial nas redes sociais. “O leão e o tigre rugem na América Latina”, escreveu. Milei afirmou ainda que os colombianos escolheram “o caminho da liberdade econômica, da prosperidade, da segurança implacável e de dizer basta ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico”.





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