MIGUEL DIAS
Eduardo Bolsonaro destila "misandria" nas redes
Dentro da "machosfera", onde se insere o filho do ex-presidente
Eduardo BolsonaroPor Miguel Dias Pinheiro, advogado
Em publicação nas redes sociais diretamente dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro ataca a chamada Lei da Misoginia, um conjunto de projetos em tramitação na Câmara dos Deputados que pretende equiparar o ódio contra as mulheres ao racismo. Ante ao fato, o filho do ex-presidente passa a ameaçar aliadas que se posicionem a favor da Lei da Misoginia.
“Não posso aceitar calado que sequestrem o movimento conservador bolsonarista para uma agenda ideológica que considero antinatural e agressivamente antimasculina. A atual tentativa de aprovar a chamada “Lei da Misoginia”, por agentes públicos eleitos sob a batuta do bolsonarismo, deve ser completamente repudiada“, determina, destilando ódio na rede.
Talvez Eduardo não saiba que o antimasculinismo refere-se a algo contrário, oposto ou que demonstra aversão ao gênero masculino, comportamento típico de ódio aos homens.
Com as declarações, Eduardo Bolsonaro agora destila ódio às mulheres e aos homens!
Cientificamente, aversão aos homens ou à masculinidade é associada ao termo "misandria" (ódio aos homens). O termo descreve sentimentos de hostilidade, reações ao feminismo ou, em contextos técnicos, aversão à figura masculina.
Eduardo Bolsonaro integra grupos masculinistas no Brasil que consideram certas pautas feministas ou mudanças sociais como "antimasculinas", alegando uma suposta crise da masculinidade tradicional.
A "misandria", diferente da "misoginia" (ódio às mulheres), é a aversão ou desprezo especificamente contra indivíduos do sexo masculino.
Dentro da "machosfera", onde se insere o filho do ex-presidente, grupos de homens expressam sentimentos de opressão e relatam receio de cancelamento ou acusações, caracterizando um ambiente de contraofensiva cultural.
Em definição mais elementar, "misandria" é o preconceito ou aversão a homens pelo simples fato de serem homens, muitas vezes manifestado em discursos de ódio. Como fez Eduardo Bolsonaro.
A literatura esclarece que, enquanto a "misoginia" (ódio a mulheres) é historicamente estrutural e agressiva, a "misandria" (ódio a homens) é frequentemente apontada como uma reação de rejeição, ainda que ambas sejam formas de preconceito de gênero.
É por isso que no Brasil tramitam projetos de lei para tipificar a "misandria" e a "misoginia" como crimes de ódio.
O discurso misândrico, como o divulgado por Eduardo Bolsonaro, pode surgir em discussões sobre violência doméstica. E é criticado por gerar alienação e comportamentos hostis em vez de igualdade. O termo também pode se referir a uma forma de "androfobia" (medo ou repulsa a homens).



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