EMIR SADER
Donald Trump é um tigre de papel
Retórica agressiva, recuos sucessivos e isolamento internacional expõem fragilidade política de Trump diante do Irã
A expressão veio da China, em relação ao imperialismo norte-americano. Hoje, ela cabe de novo, pelas declarações fanfarronas do presidente dos Estados Unidos, a que ele tem, de novo, que recuar, vergonhosamente.
Sem apoio da opinião pública do seu país, sem apoio dos próprios militares, nem dos seus aliados europeus, Trump teve que recuar, novamente, das acusações, tornando-se um verdadeiro tigre de papel.
É o resultado natural da sua perda de legitimidade como presidente dos Estados Unidos e como líder do bloco ocidental. Hoje ele está absolutamente isolado, dentro e fora do seu país.
Uma vez mais Trump fez ameaças, com prazo fixo, dizendo que poderia “terminar com uma civilização” em horas, referindo-se à milenar civilização persa. Conforme se aproximava a hora limite que ele mesmo tinha fixado, uma hora antes, ele recuou, valendo-se do pretexto da proposta do Paquistão para que os Estados Unidos recuassem das suas ameaças, sem que o Irã tivesse recuado nada nas suas posições.
Ao contrário, o Irã disse que o estreito de Ormuz segue sob controle de suas Forças Armadas, aceitando o cessar-fogo de duas semanas.
Dessa forma, as ameaças de Donald Trump caíram no vazio. É unânime a visão de que o Irã triunfou e que os Estados Unidos perderam essa guerra.
O aumento do preço do petróleo já levava a uma pressão sobre Donald Trump para terminar com a guerra. Ele já havia falado em terminar a guerra em duas ou três semanas, entre as suas declarações contraditórias, de bufão, que depois recua abertamente. Já existe até uma sigla nos Estados Unidos, que afirma que “Trump sempre recua”.
A situação internacional e o lugar dos Estados Unidos nela já não serão os mesmos depois desse episódio tão significativo. A sensação é que a situação de Donald Trump se tornava insustentável, que algo estava pronto a acontecer, que mudaria a conjuntura política.
Veio nessa nova ameaça bufona de Trump do “fim de uma civilização”, chamada pelo governo do Irã de “humilhante”. A ponto de o governo dos Estados Unidos afirmar que o plano apresentado pelo Irã é uma base razoável para negociações.
Abre-se um novo período político, em que a correlação internacional de forças é desfavorável aos Estados Unidos. Por sua vez, a situação interna também se torna insustentável para Donald Trump. Vai se elaborando, não apenas entre os democratas, mas também entre setores republicanos, a ideia do que fazer com Donald Trump, que se mostra irascível para aceitar limites à sua ação.
Trump não se dava conta dos limites da superioridade militar e sofreu uma grande derrota política. O Irã sai fortalecido politicamente, apesar dos imensos desgastes dos bombardeios que sofreu.
Israel, por sua vez, que levou os Estados Unidos a essa guerra, sai debilitado. Não conseguiu derrubar o regime do Irã e agora vai ter que aceitar um cessar-fogo que não desejava.
Donald Trump se revela realmente um tigre de papel e leva os Estados Unidos à pior crise em muitas décadas. A China, a Rússia e os BRICS agradecem.



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