Florestan Fernandes Jr.
O preço humano dos Senhores da Guerra
Estamos de volta a 1933, quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha nazista e implantou sua política genocida
Por Florestan Fernandes Júnior, jornalista e escritor
Na última terça-feira (3 de março), na cidade de Minab, no sul do Irã, milhares de iranianos participaram do funeral coletivo das vítimas de um ataque aéreo que atingiu uma escola infantil de meninas no sábado anterior. Segundo autoridades iranianas e veículos internacionais, ao menos 165 estudantes e várias professoras morreram no incidente. Um ataque coordenado pelas ofensivas dos Estados Unidos e por Israel logo no início dessa guerra. Autoridades da ONU pediram investigações imparciais sobre as circunstâncias do bombardeio, ressaltando a necessidade de proteção de civis e respeito ao direito internacional humanitário diante das mortes de crianças durante as aulas.
Esse episódio é mais um entre muitos que expõem a gravidade dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre populações civis, especialmente crianças. Organizações humanitárias, incluindo a UNICEF, têm alertado para o alto número de crianças mortas ou feridas em conflitos na região, com dezenas de milhares de menores afetados pelo ciclo de violência em Gaza e territórios vizinhos.
Ao mesmo tempo, políticas de fronteira e de imigração em países como os Estados Unidos, incluindo ações de agências como o ICE, têm gerado críticas intensas por violações de direitos humanos, mortes de detidos e separação de famílias de imigrantes, despertando debates sobre o tratamento de migrantes e o respeito à dignidade humana.
Só no primeiro ano de seu segundo mandato, o serviço de imigração dos EUA de Donald Trump já prendeu mais de 400 mil imigrantes.
Nesse período, 38 imigrantes morreram sob custódia da agência de Imigração. E mais de 4 mil crianças filhas de imigrantes foram presas e passaram dias isoladas de seus pais
Debates sobre violência armada, políticas de guerra e ações de coerção estatal são complexos e multifacetados. Relatos e análises apontam que qualquer ataque que atinja civis, sobretudo crianças, levanta questionamentos sobre conformidade com leis internacionais e princípios de proteção humanitária. Relatórios de organismos internacionais, inclusive, classificam ataques indiscriminados contra civis como possíveis crimes de guerra, independentemente de quem seja o autor
Quando crianças morrem sob bombas no Oriente Médio e imigrantes são tratados como inimigos, estamos diante de uma mesma matriz ideológica: a de que determinadas vidas valem menos que outras. Estamos de volta a 1933, quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha nazista e implantou sua política genocida. Os crimes de extermínio que tanto chocaram a humanidade, hoje são repetidos a olhos vistos e suscitando até mesmo apologia de alguns grupos. Definitivamente, quem não aprende com a História, a repetirá.





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