Bolsonaro recebeu 144 atendimentos médicos em 40 dias de Papudinha
O relatório aponta ainda que ele realiza caminhadas diárias de aproximadamente 1 km na área comum do batalhão
rep. publ. internet/Bolsonaro e filho Carlos Prestes a completar dois meses no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 144 atendimentos médicos desde que começou a cumprir pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe. Os dados constam na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou pedido de prisão domiciliar humanitária.
O despacho detalha relatórios técnicos sobre a rotina do ex-presidente e trechos da perícia médica realizada pela Polícia Federal. Moraes concluiu que Bolsonaro recebe atendimento adequado na unidade prisional e que não há necessidade de transferência para outro local.
Em um período de 39 dias analisados, entre 15 de janeiro e meados de fevereiro de 2026, Bolsonaro foi atendido 144 vezes por profissionais de saúde, média de quase quatro atendimentos por dia. O batalhão conta com médico da Secretaria de Saúde do DF e uma Unidade de Saúde Avançada do Samu com enfermeiro em regime de plantão 24 horas.
Segundo o laudo pericial, Bolsonaro relatou dormir por volta das 22h e acordar às 5h, levantando-se geralmente às 8h. Pela manhã, toma café, realiza higiene pessoal e dedica-se à leitura. Após o almoço, faz repouso de cerca de 20 minutos. À tarde, assiste a programas esportivos e conversa com o policial responsável por sua guarda.
O relatório aponta ainda que ele realiza caminhadas diárias de aproximadamente 1 km na área comum do batalhão, sob escolta, atividade que dura cerca de uma hora. Foram contabilizadas 33 caminhadas no período examinado.
A perícia atestou que comorbidades como hipertensão, apneia do sono grave e aderências abdominais estão sob controle clínico e medicamentoso, sem indicação de ambiente hospitalar.
Bolsonaro também recebe visitas semanais de fisioterapeuta particular para sessões de acupuntura e alongamento, além de acompanhamento do médico particular, Dr. Brasil Caiado. Foram registradas 13 sessões no intervalo analisado.
O laudo trouxe observações sobre a alimentação. Os peritos registraram baixo consumo de alimentos naturais e dieta pobre em frutas, verduras e hortaliças, com excesso de ultraprocessados e açúcares, como biscoitos e bolos. O documento aponta falta de controle de peso adequado às comorbidades e menciona que não há medicamento prescrito para tratamento de obesidade.
Apesar disso, a perícia e a decisão judicial indicam que a estrutura do batalhão tem capacidade para fornecer dieta fracionada e acompanhamento assistencial adequado. Sobre o funcionamento intestinal, Bolsonaro relatou hábito de três a quatro vezes por semana.
Em relação ao sono, o ex-presidente informou melhora de cerca de 80% após iniciar uso de aparelho CPAP em fevereiro para tratar a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. Os médicos recomendaram acompanhamento contínuo com especialista. Quanto ao refluxo gastroesofágico, o relatório aponta uso de medicação, mas registra falhas comportamentais, como repouso imediato após o almoço e ausência de controle de peso.
Por realizar caminhadas ao ar livre, os peritos prescreveram medidas de prevenção ao câncer de pele, incluindo uso de filtro solar fator 30 ou superior, roupas com proteção UV, chapéu e óculos escuros, além de evitar exposição entre 10h e 16h.
A decisão de Moraes também destaca a “intensa atividade política” do ex-presidente no cárcere como indicativo de boa condição mental. No período analisado, foram registradas 36 visitas de pessoas que não são familiares, além de visitas frequentes da esposa Michelle e dos filhos.
Entre os visitantes estiveram o governador Tarcísio de Freitas e parlamentares aliados, como Rogério Marinho, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Helio Lopes. Houve ainda quatro atendimentos religiosos e reuniões com advogados em 29 dias.





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