“Eu vou participar das eleições”, diz ministro Haddad
Ministro da Fazenda confirma candidatura em 2026 e afirma que anunciará o cargo que disputará após deixar o governo
rep. publ. internet/ministro Haddad O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que será candidato nas eleições de 2026 e afirmou que definirá posteriormente qual cargo disputará, após deixar o comando da pasta. A declaração foi feita em entrevista ao site Opera Mundi e repercutida em reportagem do jornal Valor Econômico.
Durante a entrevista, Haddad foi direto ao afirmar que pretende disputar o pleito. “Eu vou participar das eleições”, declarou. Segundo ele, a decisão sobre qual cargo buscará será anunciada assim que deixar o Ministério da Fazenda, o que deve ocorrer na próxima semana.
A expectativa, segundo a reportagem do Valor Econômico, é que Haddad oficialize a candidatura ao governo de São Paulo. O ministro, no entanto, preferiu não confirmar diretamente essa hipótese e reiterou apenas que sua participação nas eleições está definida. “Vou anunciar depois da minha saída do ministério a que eu vou ser candidato. Eu vou participar das eleições”, afirmou.
Cenário eleitoral “menos azul”
Na entrevista, Haddad explicou que inicialmente imaginava um cenário político mais favorável para o presidente Lula em 2026. Segundo ele, essa avaliação mudou ao longo dos primeiros meses do ano.
“Eu imaginava que o cenário de 2026 ia estar mais fácil para o presidente Lula. Imaginava mesmo. No final do ano passado, eu falei: acho que vai abrir bem o ano e aí nós vamos poder discutir São Paulo com um pouco mais de calma, saber se não é melhor projetar um nome novo, se não é melhor eventualmente apoiar um candidato de outro partido que não seja do PT”, relatou.
De acordo com Haddad, naquele momento ele considerava diferentes alternativas para a disputa em São Paulo e pensava em contribuir mais diretamente com a elaboração de propostas programáticas para o país. “Eu estava explorando essas possibilidades para a eleição de São Paulo. Eu estava numa de ajudar no plano de governo, estava nessa pegada”, disse.
Entretanto, a avaliação do cenário político mudou ao longo de 2026. “Nesses três meses do ano, o cenário se complicou, está menos azul que no final de 2025”, afirmou.
Saída da Fazenda e articulação política
Haddad também afirmou que está em diálogo com o presidente Lula sobre sua saída do Ministério da Fazenda. Segundo ele, a decisão deve ocorrer na próxima semana, possivelmente na quinta-feira (19), quando pretende iniciar conversas políticas em São Paulo.
“Eu estou conversando com o presidente [Lula], e eu devo sair do Ministério na semana que vem e vou sentar com os companheiros aqui de São Paulo”, declarou.
Ele também destacou que a equipe econômica continuará funcionando normalmente após sua saída. O atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, deverá assumir o comando do ministério.
Para Haddad, a transição não trará prejuízos à condução da política econômica. Segundo ele, a pasta permanecerá com uma equipe técnica preparada para dar continuidade ao trabalho. O ministro afirmou que o Ministério da Fazenda ficará “em boas mãos” com os técnicos que permanecerão no cargo.
Plano de desenvolvimento nacional
Outro ponto abordado na entrevista foi a tentativa de Haddad de estruturar um plano nacional de desenvolvimento para o Brasil no início do terceiro mandato do presidente Lula. Segundo ele, essa iniciativa acabou enfrentando resistências internas dentro do próprio governo.
“Eu queria me dedicar a um plano de desenvolvimento para o país. Quero isso desde 2023. Eu queria estar mais livre para poder pensar um plano de desenvolvimento”, afirmou.
De acordo com Haddad, a proposta tinha como objetivo formular diretrizes de médio e longo prazo para o crescimento econômico do país. No entanto, ele avalia que a ideia encontrou dificuldades dentro da própria estrutura administrativa.
“Ficou sendo uma disputa de prerrogativa de pastas. Teve pouca aderência”, lamentou.
O ministro também apontou que ainda existe necessidade de maior articulação entre diferentes áreas da equipe econômica. Entre os temas que exigiriam integração mais forte, ele citou áreas estratégicas para o desenvolvimento brasileiro.
Entre elas estão o aproveitamento de terras raras, o avanço da inteligência artificial, a instalação de data centers e a transição ecológica. Para Haddad, esses setores exigem planejamento coordenado entre ministérios para que o país aproveite melhor suas oportunidades econômicas.
Debate sobre o futuro político
A confirmação de Haddad de que disputará as eleições de 2026 adiciona um elemento relevante ao cenário político nacional. Ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato à Presidência da República, ele é uma das principais lideranças do campo progressista e tem papel central na formulação econômica do governo Lula.
Ao anunciar que deixará o Ministério da Fazenda para disputar as eleições, Haddad sinaliza uma nova etapa de sua trajetória política. A definição do cargo que buscará — possivelmente o governo paulista — deverá ocorrer após sua saída oficial do ministério e após consultas internas com aliados políticos.
Até lá, o ministro mantém a posição de que sua participação no processo eleitoral já está decidida. Como afirmou durante a entrevista: “Eu vou participar das eleições”.



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