Como o Caso Master atinge de cheio a família de Bolsonaro e aliados da direita e extrema direita

Daniel Vorcaro parece ser uma pessoa de muitos amigos

com informações ICL NOTÍCIAS
Como o Caso Master atinge de cheio a família de Bolsonaro e aliados da direita e extrema direita rep. publ. internet

O caso do Banco Master atraiu a atenção nacional não apenas pelo tamanho do banco, mas pelo volume expressivo das supostas fraudes identificadas nas investigações.

As ligações entre Daniel Vorcaro e Bolsonaro se tornaram motivo de curiosidade justamente pela cronologia dos fatos: foi durante o governo do ex-presidente que o Master surgiu e iniciou seu processo de ascensão.

Os elos ministeriais entre Vorcaro e Bolsonaro

Entre os elos que podem conectar os nomes Daniel Vorcaro e Bolsonaro estão algumas figuras que ocuparam cargos ministeriais durante a gestão bolsonarista.

A ex-ministra da Secretaria de Governo (SECOM), Flávia Peres, é uma delas. Ela é casada com Augusto Ferreira Lima, um dos sócios de Vorcaro e também preso na Operação Compliance Zero.

No entanto, essa não foi a primeira vez em que Peres enfrentou questionamentos sobre eventuais ligações com escândalos políticos. Ela já foi casada com o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda — acusado de envolvimento em esquemas de corrupção.

Mas, no cenário atual, o que chama a atenção é que a conexão entre Flávia e o Banco Master vai além do par romântico: após deixar o governo em 2023, a política assumiu um cargo executivo de diretora no programa de sustentabilidade do Master.

Outra conexão relevante entre Daniel Vorcaro e Bolsonaro envolve João Roma, ex-ministro da Cidadania (2021–2022) e presidente do Partido Liberal (PL) na Bahia. Em 2026, Roma foi convocado para depor na CPI do Crime Organizado, no Senado, para esclarecer eventual relação entre o Banco Master e os empréstimos consignados realizados via Auxílio Emergencial. A operação ocorria por meio da empresa CredCesta, de propriedade do Banco Pleno — instituição ligada ao Master e ao empresário Augusto Lima.

Até 2018, CredCesta era o braço de crédito consignado da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos S/A), que geria uma rede de supermercados públicos na Bahia. No entanto, a empresa passou para o controle do Master após a privatização da Ebal durante o governo de Rui Costa (PT) na Bahia.

Mais um nome que pode ser ligado a Daniel Vorcaro e Bolsonaro é o também ex-ministro da Cidadania, Ronaldo Vieira Bento (2022), que se tornou alvo de integrantes da CPMI do INSS por suposta ligação com o Banco Master. A justificativa da convocação foi a atuação do político durante a vigência do Auxílio Brasil no governo Bolsonaro, ajudando a abrir o mercado de consignado sobre benefícios sociais.

A questão é: após deixar o cargo, Vieira Bento se tornou administrador da Mettacard Administradora de Cartões e diretor do Banco Pleno S.A. Ou seja, o ex-ministro assumiu cargo administrativo em empresas que se beneficiaram com políticas adotadas durante sua gestão ministerial.


O apoio financeiro às campanhas eleitorais de 2022

Ainda na sequência de nomes do Centrão e da direita que orbitam personalidades em comum — Daniel Vorcaro e Jair Bolsonaro —, há um outro fato relevante.

Uma das pessoas também presas na Operação Compliance Zero foi o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e suspeito de integrar um grupo ligado ao banqueiro e utilizado para monitorar e atacar desafetos políticos.

Zettel parece ser um grande incentivador da política nacional. Ele foi a pessoa física que doou os maiores montantes financeiros às campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022. O primeiro recebeu R$ 2 milhões; já o segundo, R$ 3 milhões.

A ascensão de Vorcaro e a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central

Em matéria publicada no ICL Notícias, o jornalista Cleber Lourenço abordou a terceira fase da Operação Compliance Zero em março de 2026.

Ex-servidores do Banco Central (BC) se tornaram alvo de mandados de busca e apreensão, reacendendo o debate sobre as decisões tomadas por Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição nomeado em 2019 por Jair Bolsonaro.

Segundo o jornalista, mesmo que o ex-presidente não tenha sido alvo direto das investigações, atos de sua gestão passaram a ser analisados. Foi durante o mandato de Campos Neto, em 2019, que Daniel Vorcaro conseguiu autorização para assumir o controle do antigo Banco Máxima, instituição que deu origem ao Master.

À época, o banqueiro já aparecia em investigações relacionadas a operações financeiras envolvendo fundos de investimento, embora o processo não tenha resultado em condenações.

O próprio banco Máxima já havia enfrentado acusações. Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), ex-gestores do banco teriam praticado gestão fraudulenta e apresentado dados incorretos ao BC.

O cenário atraiu críticas severas à gestão de Roberto Campos Neto, uma vez que foi sob seu mandato que Daniel Vorcaro obteve autorização para adquirir o antigo Banco Máxima. A transação ocorreu apesar de o banqueiro já figurar em investigações anteriores sobre operações com fundos de investimento.

A gravidade do caso ganhou novos contornos durante votação no STF para analisar a manutenção da prisão preventiva de Vorcaro. Na ocasião, o ministro André Mendonça revelou a existência de um grupo de mensagens que reunia o banqueiro e dois servidores do Banco Central: Paulo Sérgio Nogueira das Neves e Belline Santana. Esta última é suspeita de ter recebido pagamentos de Vorcaro.

Ainda sobre a compra do Banco Máxima por Vorcaro, uma reportagem exclusiva do ICL Notícias revelou que a aquisição teria sido feita com fundos vinculados ao Grupo Aquilla, que tinha o narcotraficante espanhol, Oliver Ortiz de Zarate Martin, como um de seus cotistas.

De acordo com a reportagem, o elo entre o narcotraficante e Daniel Vorcaro seria Benjamim Botelho de Almeida, operador do mercado financeiro apontado pela PF como sócio oculto de Vorcaro nos Estados Unidos.

Os amigos de Daniel Vorcaro no Centrão

Além de conexões com políticos que ocuparam pastas importantes do Executivo durante a gestão de Jair Bolsonaro e funcionários do Banco Central, Daniel Vorcaro parece ser uma pessoa de muitos amigos. Ao redor dele, orbitavam diversos parlamentares e figuras públicas ligadas ao Centrão.

Segundo o jornalista e colunista do ICL Notícias, Luís Costa Pinto, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Ciro Nogueira (PP) são os “maiores amigos” de Daniel Vorcaro na política. À dupla, soma-se ainda o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP).

Ainda de acordo com Costa Pinto, foi por meio de Ciro Nogueira que o dono do Banco Master se aproximou do Banco Regional de Brasília (BRB), instituição financeira estatal administrada pelo governo do Distrito Federal, sob gestão de Ibaneis Rocha (MDB), que, em março de 2025, chegou a fazer uma proposta de aquisição do Master, barrada poucos meses depois pelo Banco Central.

Há também figuras que, embora não necessariamente relacionadas, são criticadas por não facilitar processos de investigação do caso Master,  exigidos por parlamentares. Um deles é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). Em matéria publicada no ICL Notícias, o jornalista Chico Alves destacou que o senador tentou evitar a instalação de uma CPMI para apurar investimentos realizados pelo fundo dos servidores do Amapá, seu estado natal, no banco de Vorcaro.

O Ciro Nogueira e a “Emenda Master”

Na relação entre o Banco Master e o senador Ciro Nogueira, há ainda outro elemento que chama a atenção: uma emenda apresentada à Proposta de Emenda à Constituição que tramita no Congresso e trata sobre a autonomia do Banco Central.

No documento protocolado por Ciro, o senador estabelecia o aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por CPF. Esse fundo público é responsável por devolver dinheiro aos investidores caso um banco vá à falência ou sofra intervenção do BC.

Na prática, a emenda era tão benéfica ao modelo de negócios do Banco Master, que chegou a ser apelidada pelo mercado financeiro de “Emenda Master”. Segundo Luís Costa Pinto, o banco “se alavancou vendendo CDBs a 150/120% do CDI, que é uma taxa de retorno quase impossível de ser cumprida por um gestor financeiro”. Ou seja, o aumento da cobertura do FGC ajudava — e muito — as atividades do banco de Daniel Vorcaro.

Em mensagens extraídas do celular de Vorcaro e obtidas pela CPMI do INSS, há um diálogo entre o banqueiro e sua ex-namorada, Martha Graef, celebrando a emenda proposta por Nogueira. O envio ocorreu às 19h44 do dia 13 de agosto de 2024, menos de duas horas depois da criação do documento da emenda no sistema do Senado. Em maio do mesmo ano, em mensagens privadas, Vorcaro chegou a classificar Nogueira como “um grande amigo de vida”.

À imprensa, a assessoria do senador afirmou que o político troca mensagens com centenas de pessoas e que esse tipo de interação não significa proximidade pessoal.

Conexão entre o Banco Master, o crime organizado e o Centrão

Com tantas frentes de investigação que esbarraram em práticas suspeitas do Banco Master, o caso passou a aparecer no radar de diversas frentes de trabalho. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, fundos de investimento suspeitos de relação com o esquema de fraudes atribuído a Daniel Vorcaro também foram mencionados em investigações que apuram a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro.

Como consequência, a CPI do Crime Organizado, instalada no Senado Federal, pediu a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico de pessoas conectadas a Vorcaro e com possíveis relações com organizações criminosas. Um deles é Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, aliado de Daniel Vorcaro que integrava “A Turma”, grupo de comunicação usado pelo banqueiro para monitorar e intimidar adversários.

O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi convocado pela CPI por suspeita de conexões com o Master e a Reag Investimentos, instituições identificadas como braços financeiros do PCC. É aí que surgem outros nomes possivelmente ligados a figuras do Centrão e também convocados pela CPI:

Mas qual seria a ligação entre esses nomes e o Centrão? A resposta pode estar em uma reportagem investigativa publicada pelo ICL Notícias: o piloto de avião Mauro Mattosinho apontou que realizava o transporte de nomes como “Beto Louco” e “Primo”, além do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, em viagens da empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP).

Somado a isso, Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad apontaram que Rueda seria dono de aeronaves operadas pela TAP e que teria se interessado pelo ramo de negócios após viajar diversas vezes em jatinhos que pertenciam à dupla. As informações constam em material que faz parte de uma proposta de delação premiada enviada pelos empresários à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).




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