Lula alerta para o risco de Terceira Guerra Mundial e explica a importância do multilateralismo

Em entrevista ao El País, presidente critica postura de Trump, defende a soberania das nações e afirma estar preparado para disputar um quarto mandato

Brasil247
Lula alerta para o risco de Terceira Guerra Mundial e explica a importância do multilateralismo Lula (Foto: Ricado Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um duro alerta sobre o risco de uma escalada militar global e criticou a postura unilateral dos Estados Unidos em entrevista ao jornal El País, publicada no YouTube. Ao abordar temas como guerra, soberania, democracia e América Latina, Lula afirmou que o mundo vive um momento perigoso e cobrou mais responsabilidade das grandes potências.

Em uma de suas declarações mais contundentes, o presidente afirmou: “Uma terceira guerra mundial será uma tragédia, sabe, 10 vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial.” A fala sintetiza a preocupação de Lula com o atual cenário internacional, marcado por tensões crescentes e ameaças entre países.

Críticas a Trump e defesa da soberania brasileira

Lula criticou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar medidas adotadas contra o Brasil. Segundo ele, os argumentos usados para justificar a taxação de produtos brasileiros não eram verdadeiros e vieram acompanhados de insinuações de força militar.

“A primeira é que os argumentos do Trump para fazer a taxação no Brasil não eram verdadeiras. A segunda é que ele tentava falar de uma força militar, sabe, que não me interessava porque eu não queria guerra com os Estados Unidos.”

O presidente relatou que optou por agir com cautela e maturidade diante da situação. “Eu resolvi ter muita paciência, sabe, com relação à taxação do Trump e disse para ele textualmente que era importante que dois países governados por dois homens com 80 anos de idade tem que ter muita maturidade na hora de conversar.”

Para Lula, relações entre chefes de Estado não devem ser guiadas por ideologia, mas por interesses nacionais. “Eu nunca pedirei para ele concordar ideologicamente comigo, como eu também não concordo com ele. Mas dois chefe de estado não tem que pensar ideologicamente, eu tenho que pensar como chefe de estado.”

Ele também criticou o comportamento de Trump no cenário internacional. “O Trump não tem o direito de acordar de manhã, achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição Americana não garante isso e muito menos a carta da ONU.”

Segundo Lula, falta liderança global comprometida com a paz. “Tá faltando lideranças políticas assumir a responsabilidade que o mundo não é de um país só.”

Defesa da paz e risco de conflito global

Questionado sobre possíveis intervenções dos Estados Unidos na América Latina, Lula afirmou que o Brasil se sente seguro porque aposta no diálogo e na diplomacia.

“Eu me considero seguro e vou repetir porque eu me quero seguro, porque minha disputa com qualquer país do mundo não é pela guerra.”

Ele reforçou o compromisso com negociações pacíficas e o respeito à soberania. “Nós queremos da forma mais civilizada do mundo, negociar numa mesa de negociação. Nenhum país tem direito, sabe, a ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem um direito de não respeitar a soberania dos outros países.”

Ao voltar ao tema da guerra, Lula reiterou seu alerta: “Pelo amor de Deus. Pelo amor de Deus. Uma terceira guerra mundial será uma tragédia, sabe, 10 vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial.”

E destacou que esse cenário pode se concretizar caso prevaleça a lógica da agressão. “Se continuarem achando que pode levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer.”

Cuba, Haiti e críticas ao bloqueio

Lula também saiu em defesa de Cuba e criticou o bloqueio econômico imposto ao país há décadas. “Cuba é uma coisa muito preciosa para nós, porque não tem explicação um bloqueio durante 70 anos. Não existe explicação.”

O presidente questionou a coerência de países que criticam o regime cubano em nome do povo, mas ignoram outras crises humanitárias. “Se as pessoas que não gostam de Cuba, sabe, que não gosta do regime cubano, tem uma preocupação com o povo cubano, por que que essas pessoas não têm uma preocupação com Haiti?”

Para ele, o bloqueio impede o desenvolvimento básico da ilha. “Como é que pode sobreviver um país, sabe, que está comprometido a não receber alimento, a não receber combustível, não receber energia?”

Venezuela e defesa de solução democrática

Ao tratar da crise venezuelana, Lula defendeu a realização de eleições pactuadas entre governo e oposição como caminho para a estabilidade.

“Eu penso que teria que ter um processo eleitoral pactuado com a oposição para que ao terminar as eleições o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter paz.”

Ele também criticou qualquer tentativa de interferência externa. “O que não dá é a Venezuela, os Estados Unidos achar que eles podem administrar a Venezuela. Isso aqui é que não é normal. Não tem paradigma na democracia.”

Lula projeta futuro político e descarta volta do bolsonarismo

No cenário interno, Lula afirmou que pretende disputar um novo mandato presidencial e demonstrou confiança na vitória.

“Tenho um acordo com Deus que eu vou viver 120 anos, porque eu gosto muito da vida. Então me preparo e estou me preparando para disputar as eleições.”

Ele comparou a disputa eleitoral a um clássico do futebol. “Isso é que nem um jogo Barcelona e Real Madrid… quando entra em campo aí vai prevalecer aquele que tiver mais competência.”

O presidente também foi categórico ao falar sobre seus adversários. “Eu posso te dizer que o bolsonarismo não voltará a governar esse país. Não voltará porque o povo vai preferir a democracia.”

Racismo no futebol e crítica à Europa


Lula condenou episódios de racismo contra o jogador Vinícius Júnior na Europa e classificou esses atos como inaceitáveis.

“É condenável todo e qualquer gesto de preconceito, de perseguição, de racismo contra o Vinícius, contra qualquer jogador.”

Ele criticou a persistência desse tipo de comportamento em países considerados desenvolvidos. “Não é possível que a gente em plena primeira metade do século XX a gente ainda tem a demonstração de racismo, sabe, num país teoricamente evoluído como a Espanha, às vezes na Inglaterra, às vezes na Itália. Eu acho sinceramente abominável.”

Ao final, Lula reforçou que mantém foco nos desafios internos do Brasil. “Eu tô com os pés no chão aqui… tenho muito problema aqui.”




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