Amizade Brasil-China se fortalece e dá oportunidades a jovens músicos

Festival de Juventude Brasil-China mistura tecnologia e tradição entre Rio de Janeiro e Pequim

Fórum
Amizade Brasil-China se fortalece e dá oportunidades a jovens músicos Foto: Universidade de Renmin/Fórum

por Rafael Henrique Zerbetto

No dia 14 de abril deste ano, a Universidade Renmin da China foi palco do Festival de Juventude Brasil-China e Comemoração dos 40 anos de Amizade entre os Municípios de Beijing e Rio de Janeiro.

Na programação, apresentaram-se a Orquestra Forte de Copacabana, o Grupo Artístico Estudantil da Universidade Renmin da China e a Banda Robótica Linkerbot. O evento fez parte das atividades do Ano Cultural Brasil-China.

De Copacabana à Grande Muralha

A Orquestra Forte de Copacabana nasceu de um projeto do Instituto Rudá, quando 50 jovens com idades entre 10 e 21 anos, provenientes de comunidades carentes como Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Chapéu Mangueira, Babilônia e Santa Marta, foram selecionados para compor uma orquestra.

Visando unir a integração social com o acesso de jovens em situação de vulnerabilidade na cidade do Rio de Janeiro, o projeto, dirigido pela produtora e empresária Márcia Melchior, oferece formação musical, oportunidades de desenvolvimento pessoal e um caminho à profissionalização em música.

“O objetivo da orquestra é capacitar os jovens para que ingressem em orquestras profissionais, em orquestras das Forças Armadas, e trilhem o caminho profissionalizante pela música. Felizmente, ao longo dos anos, muitos estudantes integraram projetos musicais e culturais, seguiram na academia e alguns chegaram ao doutorado. Essa é a nossa maior missão”, explica Márcia.

Apesar do mérito indiscutível, o projeto quase encerrou suas atividades devido à falta de recursos financeiros. A sorte mudou em 2022, quando a empresa CNOOC Petroleum Brasil Ltda., subsidiária de uma multinacional chinesa, se tornou mantenedora do projeto através da Lei Rouanet.

Mais que apenas apoiar, a CNOOC mediou uma aproximação da orquestra com a China, dando aos alunos a oportunidade de estudar mandarim e incluir temas, melodias e sonoridades chinesas ao repertório, cujo nome remete à famosa fortificação militar que hoje funciona como um espaço cultural e turístico. É lá que os jovens ensaiam e recebem educação complementar em línguas estrangeiras, matemática e português.

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Diplomacia cultural

Em 2024, quando foi celebrado o cinquentenário das relações diplomáticas Brasil-China, a CNOOC articulou uma parceria com o governo, empresas e teatros chineses para viabilizar a primeira turnê da orquestra à China.

Naquela ocasião, apresentações em universidades deram aos jovens brasileiros a oportunidade de interagir com estudantes chineses e apresentar um repertório que mescla canções representativas dos dois países. O projeto firmou-se como uma ponte cultural unindo Brasil e China.

Márcia destacou que, nos últimos três anos, a orquestra participou de eventos comemorativos do Festival da Primavera e chegou a tocar com Armandinho no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, além de participar de inúmeros eventos ligados à promoção da amizade e dos intercâmbios entre Brasil e China.

O ponto alto da turnê internacional em 2024 foi um jantar comemorativo dos 50 anos de relações diplomáticas, promovido pela Associação Chinesa de Amizade com os Povos Estrangeiros, quando a orquestra se apresentou diante do vice-presidente chinês, Han Zheng.

Além disso, durante a turnê, a orquestra encaminhou uma carta ao presidente Xi Jinping, na qual descreve sua trajetória, sua relação com a China e o desejo de fortalecer-se como ponte cultural unindo os dois países.

De volta ao Brasil, foi o momento de colher notícias boas: o governo fluminense reconheceu a orquestra como Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro, e o presidente Xi Jinping enviou uma carta elogiando o projeto e encorajando-o a dar oportunidades a mais jovens brasileiros e a promover a amizade entre Brasil e China por meio da música.

Em 2025, o projeto foi expandido, com a introdução de dois novos conjuntos: a Camerata Forte de Copacabana, formada exclusivamente por mulheres, e a Orquestra de Câmara Forte de Copacabana, passando a atender mais jovens de escolas públicas cariocas.

Agora, em 2026, a orquestra retornou à China para sua segunda turnê pelo país, visitando Beijing, Tianjin, Nanning, Guilin e Guangzhou, participando das atividades do Ano Cultural Brasil-China. Apenas três músicos desta turnê estiveram na China anteriormente, prova de que o grupo se renova e dá oportunidades a mais jovens.

A apresentação em Beijing

Teatro lotado. Bandeiras do Brasil e da China foram distribuídas aos presentes junto com o programa da apresentação. Ao lado do palco, dois robôs diante de seus respectivos pianos despertavam curiosidade: estavam ali só de enfeite ou iriam tocar? Aquilo era novidade até mesmo para os chineses.

A apresentação foi dividida em três partes: Atravessando Montanhas e Mares enfatizou o encontro de duas culturas; Cenários em Transformação mostrou as características marcantes dessas duas tradições musicais; e Caminhando Juntos introduziu uma crescente integração entre chineses e brasileiros que culminou no Gran Finale.

A orquestra brasileira chegou mostrando a que veio, abrindo o concerto com “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu, um clássico do cancioneiro brasileiro, seguida de “Flor de Jasmin” (Muolihua), uma das mais conhecidas canções tradicionais chinesas. Acordeonistas chinesas acompanharam a execução destas duas peças.

Na segunda parte, jovens músicos chineses e brasileiros se revezaram no palco para as apresentações seguintes, que incluíram até mesmo uma curta performance da Ópera de Pequim. Os brasileiros apresentaram “Garota de Ipanema” e “Canto de Xangô”.

Na parte final, os brasileiros começaram tocando “Flor de Lis”, de Djavan, e seus colegas chineses entraram no palco para as canções seguintes. Mas foram os músicos-robôs que roubaram a cena, por serem novidade. E não é que eles mandaram bem?

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Rumo ao futuro

Conheci a Orquestra Forte de Copacabana em 2024, justamente naquele jantar com o vice-presidente Han Zheng. Jamais esquecerei o orgulho que senti ao ver aqueles jovens apresentando a cultura brasileira aos chineses, nem a surpresa de ver uma jovem cantora brasileira interpretar uma canção chinesa em mandarim fluente.

Naquele momento vi que estava diante de algo bem maior que uma simples orquestra. Trata-se de um projeto que não apenas usa a música para dar  futuro a muitos jovens brasileiros, como também promove a construção de um futuro compartilhado entre os povos do Brasil e da China.

Na ocasião, posei para uma foto em grupo com a orquestra e conheci a Márcia e um executivo chinês, fluente em português, da CNOOC Brasil. Receio que talvez nunca mais tenha a chance de tirar outra foto como aquela, que guardo com carinho.

Ao longo dos últimos anos, a Márcia, mesmo estando tão atarefada, sempre me atualizou sobre o trabalho da orquestra. Vibrei quando soube que havia sido declarada Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro, e quando veio a notícia da carta do presidente Xi Jinping.

Para mim foi uma grande alegria ver a orquestra, agora, como um projeto consolidado, que conta com apoio robusto não de um, mas de dois povos que a transformaram em um símbolo de sua amizade. Que venham mais turnês pela China para aprofundar essa amizade.

* Rafael Henrique Zerbetto




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