Ministro determina que irmão de Ciro Nogueira use tornozeleira eletrônica
Os advogados afirmam que o senador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos
rep. publ. internet/Raiundo Neto e Ciro O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador Ciro Nogueira (Progressistas), use tornozeleira eletrônica.
Os dois foram alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7). A investigação apura suspeitas de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o Banco Master.
A defesa do senador Ciro Nogueira divulgou nota em que nega qualquer irregularidade envolvendo a atuação do parlamentar e critica as medidas adotadas no âmbito das investigações.
Os advogados afirmam que o senador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e questionam a legalidade de decisões baseadas em troca de mensagens entre terceiros (leia a íntegra do comunicado). A defesa do irmão do senador não foi localizada.
Ao g1, a gerente da Central de Monitoramento Eletrônico, Rayana de Moura Rodrigues, informou que, até as 10h, Raimundo Nogueira não havia comparecido ao local — que fica ao lado das penitenciárias Professor José de Ribamar Leite e Feminina de Teresina, na BR-316 — para colocar a tornozeleira. Segundo ela, ele tem até 24 horas para se apresentar.
Além da tornozeleira, Raimundo não pode manter contato com outros investigados nem com testemunhas. O ministro determinou ainda que ele entregue o passaporte à Polícia Federal (PF) em até 48 horas e não saia da cidade onde mora sem autorização judicial.
Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima e o irmão, o senador Ciro Nogueira (Progressistas) — Foto: Montagem g1/Reprodução/Divulgação
Papel nas investigações
De acordo com a Polícia Federal, Raimundo é administrador da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. Segundo os investigadores, a empresa seria usada como um “mecanismo dissimulado” para repassar vantagens financeiras ao senador Ciro Nogueira.
A decisão cita um negócio considerado suspeito: a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF. A operação foi fechada por R$ 1 milhão, apesar de as ações valerem cerca de R$ 13 milhões no mercado.
Para o STF, a diferença de valores é um indício de que a transação pode ter sido usada para esconder repasses ilegais.
Suspensão de empresas
O ministro também mandou suspender imediatamente as atividades de quatro empresas ligadas ao caso:
CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.;
BRGD S.A.;
Green Investimentos S.A.;
Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (Green Energia FIP Multiestratégia).
Segundo o relatório, essas empresas eram usadas para movimentar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.
No caso da CNLF, a polícia afirma que a empresa não tem funcionários registrados e funciona no mesmo endereço de outra firma da família Nogueira.



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