Irmão de Ciro Nogueira vira alvo da PF em investigação sobre empresas, cargos e contratos no Piauí
Raimundo Neto Nogueira é citado em apuração sobre o Banco Master e aparece ligado a negócios que receberam R$ 67,5 milhões da prefeitura de Teresina
rep. publ. internet O engenheiro Raimundo Neto Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga o suposto recebimento de recursos do Banco Master e a atuação de empresas associadas ao núcleo familiar do parlamentar.
As informações foram reveladas pelo jornal O Globo, que apontou a participação de Raimundo em empresas ligadas ao senador e em contratos firmados com a prefeitura de Teresina, em gestões de aliados políticos de Ciro Nogueira.
Segundo a reportagem, Raimundo Neto integra ou administra negócios que, desde 2009, receberam R$ 67,5 milhões da administração municipal da capital piauiense. Os contratos envolvem fornecimento de combustível, aluguel de imóveis e obras de pavimentação.
Entre as empresas citadas estão a CN Petróleo, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis e a Construtora Torre. As duas primeiras carregam referências diretas ao nome do senador. A terceira, embora não esteja formalmente vinculada a Ciro, é apresentada no Piauí como parte do chamado “Grupo Ciro Nogueira”, de acordo com a reportagem.
Raimundo Neto também ocupou cargo público no Piauí. Entre 2011 e 2012, presidiu a Agespisa, autarquia estadual responsável pelos serviços de água e esgoto, após indicação atribuída ao irmão.
Investigação mira contrato ligado ao Banco Master
A Polícia Federal apura ainda uma transação envolvendo a CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa de Ciro Nogueira. Segundo a investigação, Raimundo assinou, em abril de 2024, um “contrato de gaveta” representando a companhia na compra de parte da Green Investimentos, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A empresa do senador pagou R$ 1 milhão por 30% da Green Investimentos. Para a PF, porém, essa participação teria valor estimado em cerca de R$ 13 milhões. O balanço da Green avaliava suas ações em R$ 43 milhões à época.
De acordo com os investigadores, a operação pode ter permitido a Vorcaro “viabilizar transferência indireta de riqueza” a Ciro Nogueira por meio do pagamento de dividendos das ações da Green.
Ciro Nogueira nega irregularidades. Em nota, o senador afirmou ser alvo de uma “tentativa de manchar minha honra pessoal”, vinculou o caso ao calendário eleitoral e disse que vai “suportar esse tipo de pressão”.
“Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí”, declarou.
Histórico de controvérsias
A atuação empresarial de Raimundo e de Ciro Nogueira já havia sido alvo de inquérito da Polícia Federal em 2013, em apuração sobre denúncia de suposto desvio de recursos públicos envolvendo uma locadora de automóveis. À época, Ciro e sua ex-mulher, Iracema Portella, negaram irregularidades.
O caso foi arquivado em 2019 pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, após parecer da Procuradoria-Geral da República apontar que o tempo transcorrido e a situação dos autos não permitiam a continuidade da investigação.
A passagem de Raimundo Neto pela Agespisa também foi marcada por questionamentos. O Tribunal de Contas do Estado do Piauí apontou contratações irregulares de empresas de informática acusadas de fraudes em outros estados, mas decidiu não aplicar a multa sugerida pelo Ministério Público.
Raimundo deixou a presidência da autarquia no fim de 2012, após desgaste provocado pela defesa da privatização parcial do serviço de abastecimento de água. Na ocasião, afirmou que a Agespisa havia “perdido a capacidade de investimento”.



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