Lula revoga “taxa das blusinhas” e medida tem validade imediata

Em entrevista à Fórum, presidente admitiu que cogitava tal ação. Alvo de uma imensa controvérsia desde que foi instituída, suspensão da tributação foi anunciada na tarde desta terça (12)

Fórum
Lula revoga “taxa das blusinhas” e medida tem validade imediata O presidente Lula - O presidente Lula/ Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo federal anunciou, na tarde desta terça-feira (12), uma decisão que promete sacudir o cenário do consumo digital e aliviar o bolso de milhões de brasileiros: o fim da chamada “taxa das blusinhas”. A medida, que zera o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, será formalizada por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e regulamentada por uma portaria do Ministério da Fazenda. A publicação no Diário Oficial da União (DOU) é esperada ainda para o dia de hoje, conferindo validade imediata à nova regra.

A revogação marca o fim de um capítulo iniciado em agosto de 2024, quando a tributação foi instituída após forte pressão do Congresso Nacional e de setores da indústria brasileira. Na época, embora tenha sancionado a lei, Lula não escondeu seu desconforto, chegando a classificar a decisão como “irracional”. A mudança agora, a menos de cinco meses das eleições, é vista como um movimento estratégico para recuperar popularidade junto às classes C e D, principais consumidoras das plataformas de e-commerce internacional.

A sinalização na entrevista à Fórum

A revogação não foi um raio em céu azul. Em meados de abril, durante uma entrevista exclusiva concedida a veículos da imprensa independente, entre eles a Fórum, o presidente Lula já havia dado pistas concretas de que o recuo estava no radar do Palácio do Planalto. Ao ser questionado diretamente pelo editor-chefe Renato Rovai, sobre o impacto negativo da taxa no cotidiano das famílias, Lula foi enfático ao admitir que estava cogitando a medida, pois nunca a aceitou muito bem.

“Eu achava desnecessária o aumento da blusinha. Achava desnecessária. Porque são compras muito pequenas… Mas as pessoas de baixo poder aquisitivo é que compravam aquilo. E que ainda compram. E eu sei do prejuízo que isso trouxe para nós… Eu quero anunciar as coisas tudo de uma vez quando tiver tudo pronto pra funcionar, E vai ter, vai ter, vai ter coisa boa. Se não for boa a gente não vai fazer”, respondeu o presidente a Rovai.

A fala do presidente na ocasião repercutiu intensamente, sinalizando que o governo estava sensível ao clamor das redes sociais e dos consumidores que viam na taxa uma punição injusta, especialmente quando comparada às isenções desfrutadas por turistas em viagens internacionais. “Temos a satisfação de anunciar que foi zerada a tributação. Presidente, todas as compras até US$ 50 para pessoas físicas estão com tributo zerado”, celebrou a ministra Miriam Belchior durante o anúncio oficial nesta tarde.

O impacto financeiro e a resistência da indústria

Ao zerar o imposto, o governo abre mão de uma arrecadação significativa em um momento de busca pelo equilíbrio fiscal. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, a Receita Federal arrecadou R$ 1,78 bilhão com essas encomendas, um recorde histórico que representou um crescimento de 25% em relação ao ano anterior.

O fim da taxa deve reacender o embate com a indústria nacional e o varejo físico, que argumentam haver uma concorrência desleal com os produtos importados devido à diferença de carga tributária. Por outro lado, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, reforçou que, embora a alíquota tenha caído, o programa “Remessa Conforme” continua em vigor para garantir o controle aduaneiro. “A gente tem que fazer o debate racional. O Remessa Conforme é algo de que eu não abro mão”, pontuou Durigan.

O que muda para o consumidor

É importante destacar que, embora o imposto federal de importação (os 20%) tenha sido revogado, o ICMS, que é um tributo estadual, permanece sendo cobrado normalmente. Em abril do ano passado, dez estados brasileiros inclusive elevaram a alíquota deste imposto para 20%, o que mantém uma parcela de tributação sobre o valor final do produto.

Ainda assim, a retirada da taxa federal reduz consideravelmente o custo final nas plataformas chinesas e internacionais, devolvendo a atratividade para compras de baixo valor, como vestuário e acessórios. A decisão desta terça-feira encerra um período de forte desgaste político para o governo, que vinha sendo alvo de críticas constantes pela “taxação do consumo popular” enquanto mantinha privilégios tributários em outras esferas.




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