Nova York lança ingressos “populares” para a Copa e inclui jogo do Brasil; entenda
A medida é inédita entre as cidades-sede da Copa
MetLife, estádio de Nova York na Copa do Mundo. Foto: reprodução O prefeito socialista de Nova York Zohran Mamdani anunciou nesta quinta-feira um pacote especial de ingressos mais baratos para a Copa do Mundo de 2026. Moradores dos cinco distritos poderão disputar bilhetes por apenas US$ 50 para jogos no MetLife Stadium, arena que receberá partidas do torneio.
Os ingressos serão distribuídos por sorteio e incluem transporte de ônibus de ida e volta até o estádio. A promoção vale para todas as partidas disputadas no MetLife, exceto a final da Copa.
Ao todo, serão disponibilizados mil ingressos, divididos em blocos de aproximadamente 150 entradas para cada um dos sete jogos contemplados. Os assentos ficarão no anel superior do estádio, que tem capacidade para 82 mil pessoas.
Entre as partidas incluídas no programa estão os confrontos:
– Brasil x Marrocos, em 13 de junho;
– França x Senegal, em 16 de junho;
– Noruega x Senegal, em 22 de junho;
– Equador x Alemanha, em 25 de junho;
– Panamá x Inglaterra, em 27 de junho;
Além disso, também haverá ingressos para um jogo em 30 de junho, e outro das oitavas de final, em 5 de julho.
Mamdani apresentou a iniciativa no bairro Little Senegal, no Harlem, acompanhado de lideranças comunitárias e dos jogadores Tim Weah e Mark McKenzie, ambos nascidos em Nova York e integrantes da seleção masculina dos Estados Unidos.
A medida é inédita entre as cidades-sede da Copa de 2026. Até agora, nenhuma outra sede havia criado um programa próprio de acesso facilitado para moradores locais. A iniciativa lembra o modelo adotado no Catar em 2022, quando residentes do país tiveram direito a ingressos subsidiados.
O cadastro para o sorteio abre em 25 de maio, às 10h no horário da Costa Leste dos EUA, e termina em 30 de maio, às 17h. O limite será de 50 mil inscrições por dia. Cada vencedor poderá comprar até dois ingressos, que serão intransferíveis e entregues apenas no dia do jogo.
O programa foi organizado pela prefeitura de Nova York em parceria com o comitê organizador NY/NJ da Copa, sem participação direta da FIFA, responsável pela operação oficial de ingressos e alvo de críticas pela política de preços dinâmicos.
Os valores cobrados para assistir aos jogos da Copa nos Estados Unidos têm gerado forte repercussão. Em Nova York e Nova Jersey, o custo do transporte até o estádio também virou motivo de reclamação. A empresa de transporte de Nova Jersey chegou a anunciar passagens de trem de ida e volta por US$ 150 entre Manhattan e o MetLife Stadium — tarifa que normalmente custa US$ 13. Depois da reação negativa, o preço caiu para US$ 105. Os ônibus devem custar cerca de US$ 80.
A FIFA também sofreu pressão após liberar apenas uma quantidade limitada de ingressos a US$ 60 — cerca de 1,6% do total disponível. Com o sistema de preços dinâmicos, muitas entradas passaram rapidamente para a faixa de centenas de dólares.
Fanático por futebol, Mamdani transformou o debate sobre acessibilidade em uma das bandeiras de sua campanha para prefeito. No ano passado, ele criticou a FIFA por priorizar receitas em detrimento dos torcedores.
“Não há chance para muita gente que ama esse esporte conseguir ir aos jogos”, afirmou. “Isso afeta até a atmosfera da Copa. Muitas vezes, quem compra os ingressos primeiro não é quem mais quer estar lá, mas quem vê oportunidade de lucro.”



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