TariFlávio e Bananinha estariam presos se fossem americanos
Ofensiva dos filhos de Bolsonaro contra interesses brasileiros levanta um debate sobre soberania nacional e traição à pátria
rep. publ. internet Imagine por um instante que dois políticos norte-americanos viajassem ao exterior para pedir sanções econômicas contra os Estados Unidos, pressionassem governos estrangeiros a adotar medidas que prejudicassem empresas americanas e comemorassem decisões capazes de atingir a economia de seu próprio país.
A pergunta é simples: como seriam tratados pelas autoridades norte-americanas?
É justamente essa reflexão que surge diante das recentes movimentações de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos.
A história americana oferece um exemplo conhecido. Em 2013, Edward Snowden revelou um gigantesco esquema de espionagem conduzido pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). Entre os alvos estavam líderes internacionais, como Dilma Rousseff e Angela Merkel, além de empresas estratégicas que competiam com interesses norte-americanos.
Snowden não atuou contra os Estados Unidos. Pelo contrário. Sua justificativa foi denunciar práticas ilegais do próprio governo. Ainda assim, foi perseguido judicialmente e acabou se refugiando na Rússia.
O caso demonstra como o Estado norte-americano trata questões relacionadas à segurança nacional e à defesa de seus interesses estratégicos.
Agora comparemos com o que ocorre atualmente.
Eduardo Bolsonaro tem atuado nos Estados Unidos promovendo articulações e pressões contra instituições brasileiras. Flávio Bolsonaro, por sua vez, intensificou contatos políticos em Washington justamente no momento em que apareceram mensagens que o envolviam no escândalo Master.
O debate ganhou força especialmente após medidas e declarações de autoridades americanas que passaram a questionar instrumentos estratégicos brasileiros, como o Pix, além de ampliar pressões sobre temas relacionados à segurança pública e à regulação econômica.
O caso do Pix merece atenção especial.
O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central tornou-se uma das experiências mais bem-sucedidas do mundo. Ele reduziu custos para consumidores, ampliou a inclusão financeira e diminuiu a dependência das grandes operadoras internacionais de cartões.
Não é difícil entender por que determinados interesses econômicos veem o Pix como uma ameaça.
Agora, quando um parlamentar brasileiro atua junto a agentes estrangeiros para pressionar o próprio país, surge um problema político relevante. A questão passa a envolver soberania nacional.
Independentemente do desfecho judicial, o episódio já produz um efeito importante: expõe uma fissura no discurso bolsonarista e coloca em xeque a narrativa de quem sempre tentou monopolizar para si a ideia de defesa da pátria.
Porque patriotismo não se mede pelo número de bandeiras agitadas em um ato político.



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