“TariFlávio”: 42% dos brasileiros culpam Flávio Bolsonaro por novas taxas de Trump, diz BTG/Nexus
Além do tarifaço, outro tema internacional também aparece como fonte de desconforto para o bolsonarismo
rep. publ. internet A aproximação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos passou a pesar contra o senador no debate eleitoral. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (15) mostra que a maior fatia dos brasileiros atribui a ele a culpa pelo novo tarifaço estadunidense contra o Brasil.
Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados dizem que a nova tarifa é mais culpa de Flávio Bolsonaro, porque a aproximação entre a família Bolsonaro e o governo dos Estados Unidos teria gerado a medida “apenas para punir o governo Lula”. Outros 39% afirmam que a responsabilidade é maior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por falta de bom relacionamento com Washington.
O dado revela uma divisão apertada, mas desfavorável ao senador de extrema-direita. Apenas 11% dizem que a medida não é culpa de nenhum dos dois, pois o governo dos Estados Unidos discutiria a aplicação da tarifa por interesses próprios. Outros 8% não souberam ou não responderam.
O resultado ajuda a explicar o desgaste de Flávio nas pesquisas. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 33% do senador. Em maio, a distância era menor: Lula tinha 40%, e Flávio, 35%. Em outro cenário testado, o petista foi de 41% para 43%, enquanto o filho de Jair Bolsonaro recuou de 35% para 34%.
Além do tarifaço, outro tema internacional também aparece como fonte de desconforto para o bolsonarismo. A pesquisa perguntou aos entrevistados sobre as consequências da inclusão de facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, na lista de organizações terroristas estrangeiras dos Estados Unidos.
A maior parcela, 37%, avalia que a medida vai ameaçar a segurança dos brasileiros, porque poderia ser usada como desculpa para os Estados Unidos interferirem e sancionarem o governo e o povo brasileiro, atingindo a soberania nacional.
Outros 30% dizem que a decisão vai melhorar a segurança, pois o governo estadunidense passaria a agir apenas para combater facções do crime organizado brasileiro, sem interferir ou sancionar o país. Já 23% afirmam que a medida não vai interferir na segurança dos brasileiros e seria apenas uma burocracia ou encenação política. Os que não souberam ou não responderam somam 9%.
Os números mostram que parte relevante do eleitorado enxerga risco nas ações de Washington sobre o Brasil, tanto no campo econômico quanto na segurança pública. Esse ambiente atinge diretamente Flávio, que tem tentado capitalizar a proximidade com Trump e se apresentar como herdeiro político do bolsonarismo na disputa presidencial.
A leitura mais negativa sobre o tarifaço e sobre as medidas dos Estados Unidos contra PCC e CV ocorre justamente em um momento de queda do senador nas simulações eleitorais. Ao mesmo tempo, Lula avançou nos dois cenários de primeiro turno e lidera as disputas de segundo turno testadas pela Nexus/BTG.
A pesquisa ouviu 2.017 eleitores por telefone entre os dias 12 e 14 de junho, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06645/2026.





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