MAIORIA ACREDITA QUE MICHELLE DISSE A VERDADE EM VÍDEO CONTRA FLÁVIO BOLSONARO, DIZ PESQUISA
Meio/Ideia mostra que 64% dos que souberam do vídeo veem as falas da ex-primeira-dama como total ou majoritariamente verdadeiras
rep. publ. internet Michelle Bolsonaro saiu do vídeo contra Flávio Bolsonaro com a credibilidade preservada entre a maioria dos eleitores que tomaram conhecimento da crise familiar e política no PL. Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (8) mostra que 64% desse grupo avalia que as declarações da ex-primeira-dama foram verdadeiras. O recorte reforça a força de Michelle no campo bolsonarista em nível nacional.
O levantamento perguntou a eleitores que viram, leram ou ouviram falar do vídeo publicado por Michelle em 24 de junho se, pelo que sabiam, as falas dela sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) eram verdadeiras ou falsas, segundo a íntegra da pesquisa Meio/Ideia. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026.
Michelle Bolsonaro é vista como verdadeira por 64%
Segundo a pesquisa Meio/Ideia, 29% dos entrevistados que souberam do vídeo disseram que as declarações de Michelle foram “totalmente verdadeiras”. Outros 35% afirmaram que foram “mais verdadeiras que falsas”.
Na outra ponta, 29% consideraram as falas “mais falsas que verdadeiras”, enquanto apenas 0,3% disseram que foram “totalmente falsas”. Outros 6,6% não souberam avaliar.
O dado é relevante porque mede a percepção pública sobre uma crise interna que expôs, em vídeo, a disputa de espaço entre Michelle e Flávio dentro do bolsonarismo. Na gravação, a ex-primeira-dama relatou desavenças com o enteado e afirmou ter sido desrespeitada em discussões políticas no PL.
O resultado cria um problema político para Flávio. Mesmo depois de Jair Bolsonaro tentar consolidar o filho como herdeiro eleitoral, a percepção majoritária entre os que souberam do vídeo favorece Michelle, justamente a personagem que expôs o racha dentro da família e do PL.
Vídeo contra Flávio não derruba confiança em Michelle
A pesquisa também mediu o efeito do vídeo sobre a confiança em Michelle Bolsonaro. Para 44,4% dos que souberam da publicação, o episódio não aumentou nem diminuiu a confiança na ex-primeira-dama.
Já 23,4% disseram que o vídeo aumentou a confiança em Michelle, enquanto 17,3% afirmaram que diminuiu. Outros 14,9% não souberam responder.
A leitura política é direta: a crise aberta por Michelle não aparece, na pesquisa, como desgaste predominante para ela. Ao contrário, o levantamento indica que a ex-primeira-dama atravessou o episódio com mais eleitores inclinados a acreditar em sua versão do que a rejeitá-la.
Antes disso, o levantamento identificou o alcance do episódio. Ao todo, 33,5% disseram que acompanharam o vídeo de Michelle expondo Flávio Bolsonaro, 24,1% afirmaram que ouviram falar, 25,2% disseram que não ficaram sabendo e 17,1% não souberam ou não responderam.
Michelle lidera lembrança sobre mulher mais poderosa
A mesma rodada da pesquisa reforça o peso político de Michelle Bolsonaro na direita. Em pergunta espontânea sobre quem é a mulher com mais poder hoje no Brasil, a ex-primeira-dama aparece em primeiro lugar, com 15,4% das menções.
Ela fica à frente da primeira-dama Janja, citada por 9%, da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), com 4,5%, da ex-presidenta Dilma Rousseff, com 2,5%, e da ministra Simone Tebet, com 2%.
O resultado ajuda a explicar por que a crise entre Michelle e Flávio tem efeito político para além da briga familiar. A ex-primeira-dama segue como ativo eleitoral relevante do bolsonarismo, mesmo após Jair Bolsonaro indicar Flávio como seu candidato à Presidência.
Pesquisa mostra crise no bolsonarismo em cenário contra Lula
A disputa interna ocorre no mesmo momento em que Flávio Bolsonaro tenta se consolidar como nome da extrema direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Como mostrou a Fórum na matéria completa sobre a nova rodada da Meio/Ideia, Lula mantém vantagem sobre o senador nos cenários testados.
No cenário em que Michelle Bolsonaro aparece como candidata à Presidência, Lula marca 40,4% no primeiro turno, contra 29,4% da ex-primeira-dama. Em eventual segundo turno entre os dois, o presidente aparece com 45%, e Michelle, com 36%.
A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone em todo o país entre 3 e 6 de julho. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.



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