Caiado acusa Flávio de conspirar contra economia do Brasil
Pré-candidato critica articulação de Flávio Bolsonaro sobre tarifaço dos EUA
rep. publ. internet/Flávio e Caiado O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de conspirar contra a economia do Brasil ao comentar a articulação do parlamentar em torno do tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, e também criticou o Itamaraty por, segundo ele, abandonar uma atuação técnica em meio à crise comercial.
A declaração foi feita na terça-feira (7), durante sabatina em que Caiado reagiu à participação de Flávio Bolsonaro nas discussões envolvendo a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos do Brasil. O pré-candidato classificou como “inaceitável” a atuação do senador nas tratativas relacionadas à medida norte-americana
Em maio, Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca para uma reunião com Trump. Dias depois, Washington anunciou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, decisão que elevou a tensão entre os dois países e passou a ser explorada no debate político nacional
Questionado se considerava a postura de Flávio uma “traição à pátria”, Caiado evitou adotar diretamente essa expressão, mas afirmou que a atuação do senador configuraria uma ação contra os interesses econômicos do país. “Isso [a legislação sobre traição à pátria] existe em todos os países democráticos, isso não é nenhuma regra nova. Isso aí é você conspirar contra a economia do país. Tem uma legislação antidumping e não aplica”, declarou Caiado à CNN Brasil.
A discussão ocorreu após o mediador da sabatina observar que o ordenamento jurídico brasileiro não prevê, no Código Penal comum, um crime específico de traição à pátria. Atualmente, a matéria é tratada pelo Código Penal Militar em contextos de guerra. Já o Código Penal prevê crimes contra a soberania nacional, incluindo a conduta de entrar em entendimento com país estrangeiro ou organização estrangeira para gerar conflito ou divergência internacional entre o Brasil e outro país, ou perturbar relações diplomáticas
Caiado também mirou o Ministério das Relações Exteriores. Para ele, o Itamaraty teria deixado de agir com base em critérios de Estado diante do impasse comercial com Washington. “Passou a ser política de ideologia ao invés de ser política de Estado. Esta é a verdade”, afirmou
Antes da sabatina, Caiado já havia criticado a proposta defendida por Flávio Bolsonaro de adiar a entrada em vigor das tarifas norte-americanas para depois das eleições brasileiras. Na avaliação do pré-candidato, a medida produziria uma sensação artificial de normalidade e não enfrentaria o problema de fundo.
“Não sei a linha de raciocínio de Flávio Bolsonaro. Sou 100% contra e a nossa preocupação é o Brasil como um todo, não um período eleitoral. Nós não podemos criar um falso positivo para a população, ou seja: não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não!”, disse Caiado.
Flávio Bolsonaro participou também na terça-feira de uma audiência pública nos Estados Unidos sobre a investigação comercial aberta com base na Seção 301 da legislação norte-americana. Durante a sessão, o senador defendeu o adiamento das tarifas impostas ao Brasil.
A investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos busca avaliar se políticas adotadas pelo Brasil causam prejuízos aos interesses comerciais norte-americanos.



COMENTÁRIOS