Escolha de Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro frustra ala feminina do PL
Após meses de promessas de uma mulher na chapa, integrantes da legenda questionam, nos bastidores, a mudança de rumo
Alfredo Gaspar e Flávio Bolsonaro/Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados / Andressa Anholete/Agência Senado A definição do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou insatisfação entre integrantes da ala feminina do Partido Liberal. Segundo o jornal O Globo, parlamentares e dirigentes da legenda consideram que a decisão rompe com a estratégia defendida ao longo da pré-campanha, quando o próprio Flávio afirmou, em diferentes ocasiões, que pretendia escolher uma mulher para a composição.
Nos bastidores, aliadas do candidato à Presidência questionam a mudança de rumo e sustentam que o partido possuía nomes femininos capazes de desempenhar funções semelhantes às atribuídas ao novo companheiro de chapa.
Durante a pré-campanha, a escolha de uma mulher era vista como uma forma de reduzir a resistência do presidenciável entre o eleitorado feminino. No entanto, após tentativas frustradas de atrair representantes de outras legendas, Flávio decidiu indicar Gaspar, ex-promotor de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas e relator da CPI do INSS.
A decisão foi tomada nesta semana em articulação conduzida pelo próprio candidato, pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e pelo coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), com o aval do ex-mandatário Jair Bolsonaro.
Críticas internas
Reservadamente, integrantes do partido afirmam que, mesmo após PP e Republicanos recusarem integrar a chapa presidencial com Tereza Cristina e Daniella Marques, ainda havia alternativas femininas dentro do próprio PL.
Entre os nomes mencionados estão as deputadas federais Bia Kicis (PL-DF), Julia Zanatta (PL-SC) e Priscila Costa (PL-CE). Aliadas destacam que Bia Kicis possui trajetória profissional semelhante à de Gaspar, tendo atuado na Procuradoria do Distrito Federal antes de ingressar na política.
O descontentamento não se restringiu às lideranças femininas. Integrantes da campanha que defendiam uma mulher para a vice também passaram a manifestar, de forma reservada, críticas à decisão, avaliando que a estratégia apresentada anteriormente por Flávio foi abandonada na fase final da definição da chapa.
Lideranças defendem a decisão
Publicamente, lideranças femininas próximas à candidatura procuraram demonstrar apoio à escolha. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou: “Uma vice só por simbolismo não me interessa. Agora me interessa quantas mulheres Flávio vai indicar para o STF”.
Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a ser tratada como principal opção para ocupar a vice-presidência, declarou: “Só porque a mulher vai trazer o eleitorado feminino? Não sei. Vice é uma responsabilidade muito grande. Alfredo defende pautas importantes. Segurança. Aquela CPI me fez muito mal, saí de lá arrasada. E o Brasil não pode continuar anestesiado”.
Michelle Bolsonaro também manifestou apoio à chapa e agradeceu às “mulheres de bem” que colocaram seus nomes à disposição. Em publicação nas redes sociais, escreveu: “A caminhada está apenas começando e nós estaremos todos unidos pelo bem da nossa Nação”.
Busca pela vice
Antes da definição por Alfredo Gaspar, a campanha concentrou esforços para atrair uma mulher de outro partido. A primeira opção era a senadora Tereza Cristina, mas o PP decidiu manter neutralidade na disputa presidencial e não autorizou sua participação na chapa.
Em seguida, o grupo tentou viabilizar o nome de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, alternativa que dependia do Republicanos, legenda que também optou por não apoiar formalmente nenhuma candidatura ao Palácio do Planalto.
A presidente do Podemos, Renata Abreu, também foi sondada, mas o partido igualmente permaneceu neutro. Com o encerramento das negociações com partidos do Centrão, a discussão passou a considerar nomes do próprio PL. Embora Priscila Costa, Bia Kicis e Julia Zanatta tenham sido cogitadas, Gaspar ganhou força nesta semana.
A avaliação da direção da campanha é que sua atuação como relator da CPI do INSS poderá manter o tema dos descontos indevidos sobre aposentados como um dos principais eixos de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, sua experiência como promotor de Justiça e secretário de Segurança Pública foi considerada um reforço para a pauta de segurança pública defendida pela candidatura.



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