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Teresina,02/03/2026

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JAMIL CHADE

EUA não esclarecem objetivo do ataque ao Irã

Sem explicações

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EUA não esclarecem objetivo do ataque ao Irã ICL NOTÍCIAS

Por Jamil Chade, jornalista

Na primeira coletiva de imprensa desde o início dos ataques contra o Irã, o governo dos EUA reconheceu que atingir os objetivos da operação vai “levar tempo”. Washington ainda sinalizou que novas tropas serão enviadas para a região e evitou dar um prazo para concluir a ofensiva militar.

Mas, dois dias após o início dos ataques contra Teerã, a Casa Branca não explicou o que levou o governo a iniciar a ofensiva, nem esclareceu os objetivos da missão e nem qual o cenário que gostaria de ver, uma vez encerrada a crise.

Cresce, dentro dos EUA, o mal-estar diante de mais uma guerra iniciada pela administração de Donald Trump, que prometeu em sua campanha eleitoral encerrar o envolvimento americano em conflitos pelo mundo.

A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã se espalhou pelo Oriente Médio em 2 de março, com o Hezbollah libanês entrando no conflito e uma base aérea britânica no Chipre sendo alvo de ataques.

Desde sábado, Trump deixou de realizar aparições em público e se limitou a dar curtas entrevistas.

A primeira coletiva era a esperança de que uma explicação poderia ser dada. Ela ocorre num momento em que os conflitos se espalham pelo Oriente Médio, com o Irã retaliando em diversos países. A guerra ainda desembarcou no Líbano, com confrontos entre o Hezbollah e o governo de Israel deixando mais de 30 mortos e 140 feridos.

O secretário de Guerra, Pete Hegseth, justificou a operação ecoando as alegações do presidente Donald Trump de que os EUA atacaram o Irã porque este representava uma ameaça aos Estados Unidos. “O Irã estava construindo mísseis e drones poderosos para criar um escudo convencional contra suas demonstrações de chantagem nuclear”, disse.

Hegseth se recusou a dar um prazo para o final da operação. “Não acontecerá da noite para o dia”, disse.

Mas insiste que a culpa pela situação é do Irã. “Nós não começamos esta guerra”, disse, apresentando uma lista de ações de Teerã ao longo de anos contra os EUA.

Mudança de regime?

Nem está claro nem mesmo se o objetivo é o fim do regime iraniano. Hegseth pediu que a população iraniana assuma a tarefa de derrubar o governo. Mas ponderou:

“Esta não é uma guerra para mudança de regime, mas o regime certamente mudou”. A declaração foi interpretada por muitos como um reflexo das mudanças nos objetivos da guerra ao longo dos últimos dias.

Segundo ele, o objetivo dos ataques militares dos EUA é atingir o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã, bem como a Marinha iraniana. “Esta operação tem uma missão clara, devastadora e decisiva: destruir a ameaça dos mísseis, destruir a Marinha, sem armas nucleares”, disse.

Mas, segundo o próprio governo dos EUA, isso já teria sido atingido com os ataques de junho de 2025. Naquele momento, Trump garantiu que os programas nucleares foram “aniquilados”.

Hegseth, agora, garante que os EUA estão atacando o Irã “cirurgicamente, de forma esmagadora e sem remorso”.

Não faltaram ainda ataques contra a imprensa. Para os veículos de comunicação e a esquerda política que gritam ‘guerras intermináveis’, parem. Isto não é o Iraque. Isto não é interminável”, disse.

Questionado sobre quais seriam os objetivos, ele insistiu que o regime não poderia ter armas nucleares. Mas não detalhou o que isso significaria.

‘Cegar os iranianos’

Dan Caine, o chefe do Estado-Maior Conjunto, explicou que a primeira etapa foi agir com ataques cibernéticos para “cegar a capacidade dos iranianos para se comunicar, ver e se defender”.

Segundo ele, o primeiro ataque contou com cem aviões e mísseis que foram disparados contra as forças navais do Irã. “Lançamos uma onda sincronizada”, disse.

Nas primeiras 24 horas, mais de mil ataques foram realizados e um dos objetivos foi garantir a soberania aérea sobre o Irã.

Caine ainda afirmou que a operação contra o Irã está em seus estágios iniciais e que mais forças americanas continuam a chegar ao Oriente Médio, sugerindo uma campanha prolongada. “Este trabalho está apenas começando e continuará”, disse ele.



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