Suspensão de tarifas dos EUA favorece o Brasil, diz ministro Haddad
Decisão da Suprema Corte que derrubou o tarifaço do presidente Donald Trump reduz tensões comerciais globais e pode abrir espaço para negociações
rep. publ. internet/Fernando Haddad A suspensão das amplas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao
comércio global deve gerar um impacto imediato positivo para os países
que haviam sido atingidos pelas sanções, incluindo o Brasil. A avaliação
é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que a decisão da
Justiça americana tende a aliviar pressões sobre economias que sofreram
restrições comerciais.
“O
efeito imediato, evidentemente, é favorável aos países que foram
sancionados”, afirmou Haddad, que acompanha o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva em viagem à Índia.
O ministro também avaliou que o Brasil adotou a postura correta desde
o início do tarifaço, destacando que o país buscou caminhos
institucionais para contestar as medidas impostas por Washington.
Segundo Haddad, o governo brasileiro priorizou o diálogo e acionou
mecanismos formais de disputa internacional.
“Acreditou no
diálogo, acreditou na disputa pelos canais competentes. Na contestação
pelos canais competentes. Tanto na OMC quanto no judiciário americano.
Estabeleceu uma relação diplomática, uma conversa direta para falar de
temas relevantes”, explicou.
Haddad ainda afirmou que, no âmbito da relação bilateral, a atuação
brasileira foi conduzida de maneira exemplar, ressaltando que o país
manteve firmeza sem romper os canais diplomáticos com os Estados Unidos.
“Então, o Brasil, do ponto de vista da sua relação bilateral, ele agiu de uma forma impecável. Essa é a verdade”, declarou.
A
decisão da Suprema Corte representa um revés significativo para a
política econômica de Trump, já que o tarifaço era um dos principais
pilares de sua estratégia comercial desde o retorno à Casa Branca. Por
seis votos a três, os ministros entenderam que o presidente extrapolou
sua autoridade ao recorrer a uma lei federal de poderes emergenciais, a
IEEPA, para justificar a imposição de tarifas “recíprocas” em escala
mundial.
Além das tarifas globais, também foram derrubadas taxas
de importação direcionadas que, segundo o governo americano, tinham como
objetivo combater o tráfico de fentanil.
O entendimento do tribunal enfraquece a justificativa jurídica utilizada
pela Casa Branca e pode reabrir o debate sobre os limites do Executivo
na adoção de sanções comerciais, além de gerar repercussões diretas
sobre cadeias de exportação e importação em diversos continentes.






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