EUA deportam a última fugitiva do 8/1, que será presa; saiba quem é
Essas mulheres não recorreram da decisão de deportação
Div. DCM/comerciante Michely Paiva Alves Uma decisão tomada por um juiz de imigração nos Estados Unidos determinou a deportação da comerciante de Limeira (SP) Michely Paiva Alves, a última brasileira envolvida nos ataques aos Três Poderes em Brasília a ser presa no país. Ela que entrou ilegalmente nos EUA, já havia sido detida pela gestão de Donald Trump e está aguardando o desfecho de seu caso no sistema de imigração.
A decisão foi emitida por um juiz administrativo de imigração, com sede em El Paso, Texas, que, de acordo com documentos do Ministério da Justiça dos EUA, optou pela deportação. A defesa dela recorreu da sentença, apresentando o caso ao Tribunal de Apelação de Imigração, o BIA (Board of Immigration Appeals).
O novo julgamento está marcado para o dia 11 de março, quando a brasileira completará 39 anos. Michely é uma das réus no processo sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023 no Brasil, acusada de financiar um ônibus que levou 30 pessoas de Limeira até Brasília para participar das invasões nos prédios públicos.
Ela foi uma das responsáveis por levar militantes ao QG do Exército, de onde seguiram para o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, em uma tentativa de golpe contra o governo do presidente Lula. No Brasil, ela enfrenta acusações por cinco crimes relacionados aos ataques, incluindo o financiamento do transporte utilizado pelos invasores.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o ônibus contratado pela comerciante foi pago por ela em parte, com R$ 6.500 transferidos de sua conta bancária para garantir a viagem. O dono do ônibus também foi ouvido pela polícia e confirmou a contratação.
No entanto, a defesa dela alega que não há provas que a envolvam diretamente nos atos de depredação. Outras três mulheres envolvidas no golpe de 8 de janeiro já foram deportadas dos EUA. Cristiane Silva, Rosana Maciel e Raquel Lopes, todas com mandados de prisão em aberto no Brasil, também foram presas por imigração ilegal.
Diferentemente de Michely, no entanto, essas mulheres não recorreram da decisão de deportação. Além disso, um número de fugitivos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro ainda está nos EUA, mas, ao contrário dela, não foram detidos por questões de imigração ilegal.
Dentre esses estão o deputado Alexandre Ramagem, os empresários Esdras Santos e Flávia Cordeiro Soares, além do blogueiro Allan dos Santos. Ela é uma das 1.399 pessoas sendo investigadas ou responsabilizadas pelos atos golpistas.
Entre os outros acusados, 29 pessoas são apontadas como parte do núcleo de liderança, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não responde diretamente por crimes cometidos durante os atos de 8 de janeiro. No caso de Michely, a tentativa de um acordo com o Ministério Público foi frustrada após a descoberta de que ela havia contribuído financeiramente para o transporte utilizado pelos militantes.
Mesmo com a tornozeleira eletrônica, ela fugiu para a Argentina em 2024, e, ao longo de sua fuga, passou por outros países da América Latina, antes de ser presa nos EUA em 2025, quando tentou cruzar a fronteira mexicana ilegalmente.





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