Grupo do bolsonarista Vorcaro invadiu PF, MPF, Interpol e FBI, aponta investigação
Polícia Federal apura acessos ilegais a sistemas sigilosos de órgãos nacionais e internacionais ligados à segurança e à investigação criminal
rep. publ. internet/ex-banqueiro Daniel Vorcaro Uma investigação da Polícia Federal aponta que um grupo ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria acessado de forma indevida sistemas restritos utilizados por órgãos de investigação e segurança. A informação foi divulgada em reportagem publicada nesta quarta-feira (4) pelo Portal G1, com base em dados obtidos no âmbito das apurações conduzidas pela PF.
Os investigadores identificaram que integrantes do grupo teriam conseguido consultar e extrair informações de bases sigilosas da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e também de organismos internacionais como o FBI e a Interpol. Os acessos, de acordo com a investigação, teriam ocorrido por meio do uso irregular de credenciais funcionais pertencentes a terceiros.
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, é investigado por suspeitas de envolvimento em fraudes bilionárias associadas à instituição financeira. Ele voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) por determinação do ministro André Mendonça, que passou a relatar as investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) após a saída do ministro Dias Toffoli do caso.
O banqueiro já havia sido detido em novembro do ano passado, mas foi colocado em liberdade poucos dias depois mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
Mais prisões
Além de Vorcaro, outras três pessoas foram presas no âmbito da investigação. Entre elas está Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. Segundo a Polícia Federal, ele seria responsável por coordenar uma estrutura descrita pelos investigadores como uma milícia privada chamada “A Turma”.
De acordo com os investigadores, o grupo teria sido utilizado para monitorar ilegalmente adversários, autoridades públicas e jornalistas. Mourão é apontado como responsável por realizar consultas e extrair informações sensíveis de bases de dados restritas utilizadas por órgãos de segurança pública e investigação criminal.
As apurações indicam que os acessos eram realizados por meio da utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, estratégia que permitia acessar dados protegidos por sigilo institucional sem levantar suspeitas imediatas nos sistemas.
Os outros dois presos foram Marilson Roseno da Silva, integrante do grupo "A Turma". Conforme a investigação, ele usou sua experiência e contatos para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina. O outro detido foi Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador finaceiro de seus esquemas fraudulentos.
Acesso a sistemas sigilosos
Com esse método, o grupo investigado teria conseguido acessar sistemas internos da própria Polícia Federal e do Ministério Público Federal, além de plataformas utilizadas por organismos internacionais de cooperação policial.
Entre os sistemas citados na investigação estão bases associadas ao FBI, agência federal de investigação dos Estados Unidos, e à Interpol, organização internacional que coordena a cooperação policial entre diferentes países.
A Polícia Federal continua analisando o alcance dos acessos realizados e o volume de informações que podem ter sido consultadas ou extraídas de forma irregular. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, no âmbito das investigações relacionadas às atividades atribuídas ao grupo ligado ao controlador do Banco Master.





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