Master: Irmão de Ciro Nogueira contrata advogado indicado por Bolsonaro à Corte de Direitos Humanos
Contratado por Raimundo Nogueira, irmão de Ciro, para defesa no caso Master, Rodrigo Mudrovitsch foi indicado e pode julgar, como presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, caso envolvendo ex-presidente
rep. publ. internet/PortalAZ/engenheiro Raimundo Neto Alvo da Operação Compliance Zero por ser administrador da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa que tem as iniciais do nome do irmão, Ciro Nogueira (PP-PI), e teria sido usada para receber propinas do Banco Master, segundo a Polícia Federal, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima contratou para fazer sua defesa o criminalista Rodrigo Mudrovitsch, indicado em 2020 por Jair Bolsonaro (PL) para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Na Presidência da Corte até 2027, Mudrovitsch pode julgar uma ação de bolsonaristas que pedem a revisão da condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a permanência do ex-presidente em prisão domiciliar.
O juiz brasileiro foi indicado por Bolsonaro à corte em um momento de aproximação com o ministro Gilmar Mendes, do STF, que teria feito a indicação.
Além de professor do curso de Direito do Instituto de Direito Público (IDP), instituição fundada por Mendes, Mudrovitsch atuou na defesa do ministro do Supremo em uma ação contra o jornalista Rubens Valente por trechos do livro Operação Banqueiro, que relata os bastidores da Operação Satiagraha e a relação do banqueiro Daniel Dantas, do Oppotunity, em uma prévia do que seria o Caso Master, de Daniel Vorcaro.
A indicação do nome de Mudrovitsch por Bolsonaro foi cercada de críticas, já que o advogado, então com 36 anos, não tinha histórico de atuação em Direitos Humanos, tampouco de Direito Internacional.
Ao contrário, o advogado atuou na defesa de ruralistas no processo referente ao chamado Marco Temporal, cunhado para legalizar invasão de terras indígenas.
Mudrovitsch ganhou notoriedade durante a Lava Jato, atuando em acordos de delação de investigados ligados à Odebrecht e empresários como Eike Batista e Eraí Maggi, o “Rei da Soja”, primo do ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi.
Mensalão do Master
Em troca de comandar o lobby de Vorcaro no Congresso, o ex-ministro da Casa Civil seria o principal contemplado no Mensalão do Master, recebendo mensalmente repasses de R$ 300 mil, que somariam cerca de R$ 18 milhões em propinas pagas em transações identificadas como “parceria BRGD/CNLF”.
Operacionalizada por Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro preso na operação, e pelo pai dele Oscar Vorcaro, a BRGD S.A. fazia os repasses à CNLF Empreendimentos Imobiliários. A sigla é referente ao nome Ciro Nogueira Lima Filho, mas é comandada pelo irmão Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que recebeu tornozeleira eletrônica e está proibido de falar com o senador.
A investigação mostra também que a mesada a Ciro Nogueira foi aumentada para R$ 500 mil em janeiro de 2025, em meio à tramitação da Emenda Master, que acabou arquivada.
Em troca de mensagens, Felipe comunica ao primo sobre o pedido para aumentar o valor em meio milhão de reais. “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, indaga ao banqueiro, que dá carta branca ao parente para liberar o pagamento.
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro ainda cede gratuitamente a Ciro Nogueira, por tempo indeterminado, um “imóvel de elevado padrão”, além de bancar “hospedagens, deslocamentos e demais despesas inerentes a viagens internacionais de alto custo”.
Na decisão, Mendonça diz que “tais vantagens teriam compreendido hospedagens no Park Hyatt New York”, hotel de luxo que tem diárias que podem ultrapassar os R$ 22 mil.
O relator ainda transcreve troca de mensagens em que Léo Serrano, que intermediava as operações, pergunta a Vorcaro se era para continuar pagando as despesas de Ciro Nogueira e da esposa durante viagem aos EUA.
“Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?”, escreve o assessor. “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”, responde o banqueiro, citando o refúgio de luxo francês no Caribe.
Ciro Nogueira ainda recebeu do banqueiro 30% das ações da Green Investimentos S.A. por módico R$ 1 milhão, sendo que “de acordo com a representação policial, nada obstante o valor de mercado das ações negociadas entre a Green Investimentos e a CNLF fosse de aproximadamente R$ 13.062.315,30”.
Além de ser alvo de busca e apreensão, Ciro Nogueira foi proibido apenas de manter contato com outros investigados pelo colega André Mendonça, que negou a colocação de tornozeleira eletrônica e chegou a citar que “mostra-se desnecessária, neste momento, a adoção de prisão cautelar”.



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