O papel do irmão de Ciro Nogueira nas práticas investigadas de crime do senador
Filho da ex-senadora Eliane Nogueira, atual secretária municipal de Cidadania em Teresina, Raimundo é o terceiro de cinco irmãos
Ciro Nogueira (ao centro) ao lado dos irmãos Raimundo (de azul) e Gustavo, e da mãe Eliane, em confraternização da empresa da família: PF investiga atuação. Foto: reprodução/DCM O engenheiro Raimundo Neto Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), é alvo de uma operação da Polícia Federal que apura suposto recebimento de recursos ligados ao Banco Master. Ele participa de empresas associadas ao parlamentar e já ocupou cargo no governo do Piauí por indicação do irmão.
Filho da ex-senadora Eliane Nogueira, atual secretária municipal de Cidadania em Teresina, Raimundo é o terceiro de cinco irmãos. Ciro é o mais velho. Entre 2011 e 2012, o engenheiro presidiu a Agespisa, autarquia estadual responsável pelo serviço de água e esgoto no Piauí.
Há mais de duas décadas, Raimundo aparece como administrador da CN Petróleo, que atua com postos de gasolina, e da Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. As duas empresas fazem referência ao nome do senador. Ele também é sócio da Construtora Torre, que não tem vínculo formal com Ciro, mas costuma ser apresentada no Piauí como parte do “Grupo Ciro Nogueira”.
Desde 2009, essas três empresas receberam R$ 67,5 milhões da prefeitura de Teresina em contratos firmados nas gestões de Silvio Mendes (União) e de seus antecessores Elmano Férrer e Firmino Filho, todos aliados de Ciro. Os contratos envolveram obras de pavimentação, aluguel de imóveis e fornecimento de combustível. A prefeitura não respondeu aos contatos.
A defesa de Ciro afirmou que não poderia comentar contratações antigas de empresas que não estão diretamente ligadas à investigação do Banco Master. A defesa de Raimundo não foi localizada.
Segundo a Polícia Federal, Raimundo assinou, em abril de 2024, um “contrato de gaveta” em nome da CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa do senador, para comprar parte da Green Investimentos, firma ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação apura se a operação serviu para repassar vantagens indevidas a Ciro, que nega as acusações.
A CNLF pagou R$ 1 milhão por 30% da Green Investimentos. Para a PF, porém, essa fatia valeria cerca de R$ 13 milhões. O balanço da Green avaliou suas ações em R$ 43 milhões à época. Os investigadores afirmam que a transação pode ter permitido a Vorcaro “viabilizar transferência indireta de riqueza” para Ciro por meio de dividendos.
Em nota, o senador disse ser alvo de uma “tentativa de manchar minha honra pessoal”, associou o caso à campanha eleitoral deste ano e afirmou que vai “suportar esse tipo de pressão”. “Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí”, declarou.
Antes do caso Master, a atuação empresarial de Raimundo e Ciro já havia sido investigada pela PF em 2013, em apuração sobre suposto desvio de recursos públicos. O inquérito foi arquivado em 2019 pelo ministro Luiz Fux, do STF, após parecer da Procuradoria-Geral da República afirmar que “a situação retratada nos autos e o tempo transcorrido” não permitiam a continuidade da investigação.
A passagem de Raimundo pela Agespisa também teve controvérsias. O Tribunal de Contas do Estado apontou contratações irregulares de empresas de informática acusadas de fraudes em outros estados, mas não aplicou multa sugerida pelo Ministério Público. Raimundo deixou o cargo no fim de 2012, após desgaste provocado pela defesa da privatização de parte do serviço de abastecimento de água.



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