Em editorial, Estadão diz que direita deve romper com a família Bolsonaro; o bolsonarismo é tóxico
O texto, intitulado “A direita diante de seu veneno”, diz que o caso mostra a “baixa estatura moral e política” do senador para liderar o campo conservador
rep. publ. internet/DCM O Estadão publicou um editorial neste sábado (16) em que afirma que o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, expôs o custo político de a direita seguir subordinada à família Bolsonaro.
O texto, intitulado “A direita diante de seu veneno”, diz que o caso mostra a “baixa estatura moral e política” do senador para liderar o campo conservador. O editorial afirma que a revelação do pedido de dinheiro feito por Flávio Bolsonaro a Vorcaro serve como advertência ao campo conservador e que a direita precisa se afastar da “usina de escândalos” que seria o bolsonarismo.
No entanto, mesmo criticando Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o caso Master, o Estadão não tira Lula do centro da mira. O editorial cobra a direita por seguir presa ao clã Bolsonaro, mas deixa claro que sua obsessão principal continua sendo derrotar o “lulopetismo”. Para o jornal, o escândalo importa também porque atrapalha esse projeto.
Leia abaixo um breve recorte do Editorial:
“O bolsonarismo é tóxico por natureza. […] Bolsonaro é, nesse sentido, um seguro de vida para Lula. […]
[…] Há anos, parte da direita trata o bolsonarismo como atalho eleitoral inevitável. Alega-se que Bolsonaro conserva votos, mobiliza militância e encarna a rejeição ao lulopetismo. Isso pode explicar a conveniência de curto prazo de políticos que orbitam o ex-presidente, mas não justifica a abdicação moral, programática e institucional de um campo político inteiro. […]
[…] Quem se prende a Jair Bolsonaro e seus filhos não recebe apenas votos. Recebe também vícios, métodos e passivos. Recebe também a confusão entre público e privado, o culto familiar, a hostilidade às instituições, o desprezo pela liturgia democrática e a incapacidade de distinguir causa pública de negócio particular. O bolsonarismo é tóxico por natureza. Sua toxicidade é o seu próprio modo de existir. […]
[…] A direita democrática tem diante de si uma oportunidade preciosa, que é permitir ao Brasil se libertar de Lula e suas ideias envelhecidas sem se submeter a Bolsonaro. O governo lulopetista oferece razões de sobra para ser derrotado. É anacrônico, estatizante, aparelhado e incapaz de apresentar uma agenda moderna de crescimento econômico, responsabilidade fiscal e eficiência administrativa. Mas a malaise lulopetista não absolve a direita de seus pecados nem autoriza a entrega do campo conservador a uma família incapaz de atravessar uma semana sem produzir um novo escândalo. […]
[…] A ruína política de Bolsonaro poderia ter sido o ponto de partida para a reconstrução da direita, abrindo espaço para lideranças comprometidas com reformas e moderação. Em vez disso, muitos preferiram ajoelhar-se diante do espólio bolsonarista, como se o patrimônio eleitoral do ex-presidente fosse transmissível por sangue. O resultado é Flávio Bolsonaro – que não tem estatura nem para ser poste do pai golpista, que dirá presidente da República.”



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