O que R$ 1 bilhão do Rioprev pode ter a ver com fortuna que Flávio Bolsonaro “ganhou” de Vorcaro

Jornalista Octavio Guedes, da GloboNews, trouxe análise pertinente sobre dinheiro do fundo de previdência dos servidores do Rio colocado criminosamente no Master e a tal história do filme sobre Bolsonaro


O que R$ 1 bilhão do Rioprev pode ter a ver com fortuna que Flávio Bolsonaro “ganhou” de Vorcaro rep. publ. internet/Flávio e Cláudio

O avanço das investigações sobre o colapso financeiro provocado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, começa a desenhar conexões que vão muito além de uma simples fraude bancária privada. Uma análise meticulosa trazida a público pelo jornalista Octavio Guedes, no programa Estúdio i, da GloboNews, levanta uma hipótese perturbadora que cruza a dilapidação de recursos públicos fluminenses com os misteriosos R$ 61 milhões recebidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A tese central, que ganha corpo nos bastidores de Brasília e do Rio de Janeiro, investiga se o suposto patrocínio milionário ao filme Dark Horse, obra cinematográfica projetada para contar a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, não teria sido, na verdade, uma espécie de “bonificação” ou comissão por uma operação financeira colossal envolvendo o fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprev.

Os investigadores trabalham com o cruzamento de cronogramas. No mesmo período em que os repasses que somaram R$ 61 milhões irrigavam as contas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro, sob o pretexto de financiar a produção do filme Dark Horse, o governo do Estado do Rio de Janeiro tomava uma decisão drástica: enviava quase R$ 1 bilhão do Rio Previdência para ser aplicado diretamente em fundos geridos pelo Master de Daniel Vorcaro.

O dinheiro dos aposentados e pensionistas do Rio acabou fazendo parte do rombo bilionário da fraude promovida pelo banqueiro. Para Octavio Guedes, a narrativa de que o senador carioca tratava apenas de negócios estritamente particulares com o sistema financeiro desmorona diante dos fatos.

“É preciso entender que é uma falácia a história do Flávio Bolsonaro dizer que tava cuidando de dinheiro privado com banqueiro… Ele [Vorcaro] tinha acabado de ganhar R$ 1 bilhão do dinheiro de aposentado e pensionista do estado do Rio de Janeiro, e estão aqui as datas…”, disparou o comentarista da GloboNews.

Engrenagem política: O fator Cláudio Castro e a Go Up Entertainment

Para compreender a viabilidade de uma ilação dessa magnitude, é preciso analisar a geopolítica do poder no Rio de Janeiro e as conexões empresariais do caso. O governador Cláudio Castro (PL) comanda o estado de origem e reduto eleitoral da família Bolsonaro. Castro sempre manteve uma postura de extrema submissão ao clã e ao Partido Liberal (PL), legenda que é controlada abertamente pelos Bolsonaro.

Nesse tabuleiro, o envio de R$ 1 bilhão de um fundo estatal para um banco específico dificilmente ocorreria sem o aval ou a articulação das forças políticas que sustentam o Palácio Guanabara. Ao ser questionado sobre o porquê de essa linha de investigação ser tão contundente, Guedes foi direto na lógica institucional:

“Porque é um governo do partido [PL], do [partido do] senador e no estado do senador, então ele tinha a obrigação de saber.”

Aprofundando as conexões do esquema, a produtora responsável pelo filme Dark Horse é a Go Up Entertainment. As investigações apontam que a produtora pertence à mesma proprietária de diversas Organizações Não Governamentais (ONGs). Essas entidades têm chamado a atenção dos órgãos de controle por receberem volumosas emendas parlamentares de deputados e senadores bolsonaristas, além de abocanharem contratos milionários junto à prefeitura de São Paulo, gerida pelo também bolsonarista Ricardo Nunes (MDB).

Uma ilação séria que assombra o clã

Embora as autoridades e os analistas tratem o caso ainda sob o manto da suspeita e aguardem a conclusão das perícias financeiras e o desenrolar das propostas de delação premiada, o nexo causal investigado é nítido: o Banco Master teria recebido uma bolada bilionária de dinheiro público dos servidores graças à influência política da família que manda no Rio; em contrapartida, uma “fatia” desse bolo (R$ 61 milhões) teria retornado ao “zero um” disfarçada de investimento cultural na produção sobre a vida de seu pai. É um fato? Não, mas a linha de investigação está lançada e sendo analisada pela PF.

Se confirmada a triangulação envolvendo o banco, o governo fluminense e a teia de contratos da Go Up Entertainment, o roteiro de Dark Horse dará lugar a um enredo real de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato que promete abalar as estruturas da política nacional.




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