Olha aí, Riobaldo: Aécio está de volta, escreve Moisés Mendes
Disse que o PSDB está renascendo, que “é menor mas mais homogêneo” e se declarou um homem feliz e com coragem para novos desafios
rep. publ. internet/Aécio Neves Por Moisés Mendes, jornalista
Aécio Neves nunca ouviu uma pergunta formulada por mim, mas me disse o seguinte, às vésperas da eleição de 2014, antes do debate com Dilma Rousseff, na Globo, no Rio: “Como se diz lá em Minas, o que a vida quer da gente é coragem”.
Foi num corredor formado por cordões de segurança a caminho do estúdio onde aconteceria o duelo entre os dois. Não sei o que ele disse antes a outros jornalistas, quando fazia paradinhas no cercado, mas quando chegou diante de mim Aécio largou a sua versão da frase do Riobaldo do Grande Sertão Veredas.
Eu quase abri a boca para fazer uma pergunta qualquer, e Aécio saltou antes: ele era um cara de coragem. E o resto não importava. E foi embora.
Do resto, todos lembramos. Aécio perdeu aquela eleição para Dilma e promoveu a primeira tentativa de golpe, que inaugura os questionamentos sobre o sistema eleitoral no Brasil pós-ditadura.
Afrontou as instituições e a democracia e abriu caminho para o que viria mais tarde. Bolsonaro só repetiu, antes mesmo da eleição de 2022 e depois, quando tentou o golpe em 2023, o golpismo de Aécio.
Há muito tempo eu não via uma entrevista dele, como a que concedeu a Daniela Lima e Fábio Zanini, no Frente a Frente do Canal UOL. Às vezes parecia confuso.
Confessou que está sendo sondado a concorrer de novo a presidente, elogiou Lula várias vezes, disse que não apoiaria nenhum projeto de anistia para golpistas, declarou-se perseguido por Joesley Batista e atacou as emendas parlamentares, porque quem tem de governar é o governo, e não o Congresso.
Disse que o PSDB está renascendo, que “é menor mas mais homogêneo” e se declarou um homem feliz e com coragem para novos desafios.
Aécio é de novo o presidente de um partido que quase não existe mais. Foi comido pelo PSD de Kassab em São Paulo. Tem hoje apenas 19 deputados federais. Já teve 99 em 1998.
Teve oito governadores eleitos em 2010. Hoje não tem nenhum. Os três eleitos em 2022 debandaram para outras siglas: Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Raquel Lyra (Pernambuco) foram para o PSD. Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul) bandeou-se para o PP.
Aécio disse na entrevista que não considera Lula um inimigo. Pôs em dúvida a viabilidade da própria candidatura como nome de centro, mas afirmou que está à disposição de quem pretende apoiá-lo.
E contou que quando era governador, em 2010, Lula foi a Minas e disse que, se ele (Aécio) fosse para o MDB, poderia se eleger presidente da República. Contou rindo, para deixar claro que gosta de Lula.
Andaram dizendo, que quando Rodrigo Pacheco foi sondado para ser o nome de Lula ao governo de Minas, Aécio poderia até apoiar a candidatura. Mas agora, qual é a boa de Aécio com Lula?



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