Estadão rebate Flávio Bolsonaro e diz que cabe ao Brasil combater PCC e CV

O texto também defende que o Brasil mantenha cooperação internacional contra o crime organizado, mas sem abrir mão da soberania nacional

DCM
Estadão rebate Flávio Bolsonaro e diz que cabe ao Brasil combater PCC e CV O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O Estadão publicou editorial neste sábado (30) em que afirma que cabe ao Brasil combater seus próprios criminosos, em resposta ao debate aberto pela decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O texto cita que a medida foi celebrada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que havia defendido o enquadramento em visita recente à Casa Branca.

A posição do jornal contrasta com a tentativa do senador de apresentar a iniciativa de Donald Trump como um marco para a segurança pública brasileira. O editorial reconhece a gravidade da ameaça representada pelas facções e pelas milícias, mas afirma que nenhuma decisão tomada em Washington substitui a responsabilidade do Estado brasileiro.

O texto também defende que o Brasil mantenha cooperação internacional contra o crime organizado, mas sem abrir mão da soberania nacional e coloca que o combate às facções exige inteligência policial, integração entre forças de segurança, controle de fronteiras e asfixia financeira das organizações criminosas.

“[…] Em meio aos ruídos típicos das lides políticas, convém serenar os ânimos e lançar luz sobre a realidade objetiva. Designar o PCC e o CV como organizações terroristas, lamentamos dizer, não será a bala de prata que mudará a vida dos milhões de brasileiros que dormem e acordam diariamente sob o jugo dos facínoras. Por outro lado, não se pode ignorar que as facções, além das milícias, representam uma afronta ao Estado detentor do monopólio da violência e que, portanto, devem ser enfrentadas com tudo o que estiver ao alcance das autoridades, dentro da lei. Até aqui, o crime organizado tem ganhado a guerra e expandido seu domínio, enquanto valentes agentes da lei tentam combatê-lo sem ter os instrumentos adequados para isso. Não é à toa que a sociedade se sente desamparada – e pronta a aceitar qualquer medida de força contra essas máfias. […]

[…] Mas a confusão conceitual não diminui a gravidade da ameaça que as facções representam. E é justamente por isso que a resposta institucional à decisão dos EUA impõe prudência. O País não está prestes a ver fuzileiros navais americanos desembarcando na Baía de Guanabara, tampouco ver-se-á livre das organizações criminosas por meio de uma canetada do presidente americano Donald Trump. Se estiver genuinamente preocupado em resguardar os interesses nacionais, Lula deve ter a serenidade de combinar a defesa da soberania brasileira com o estreitamento das relações com Trump de modo a construir um ambiente de cooperação entre Brasil e EUA que, de fato, fortaleça o enfrentamento ao crime organizado, um mal comum.

Cabe apenas ao Brasil combater seus criminosos, mas sem bravatas, e sim com inteligência policial, integração entre as forças de segurança, controle de fronteiras, asfixia financeira das facções e cooperação internacional permanente.

Nenhuma decisão tomada desde Washington substituirá a responsabilidade do Estado brasileiro de enfrentar os criminosos que aqui nasceram, cresceram e consolidaram seu poder marginal. Nenhuma intervenção estrangeira devolverá a tranquilidade às famílias que vivem sob a ameaça cotidiana às suas liberdades mais comezinhas. E, finalmente, nenhum bate-boca eleitoreiro sobre soberania nacional e leniência com o crime tirará o sono dos chefões mafiosos que ameaçam o Brasil.”




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