Copa enfrenta esvaziamento em cidades-sede, com hotéis abaixo da expectativa e ingressos encalhados

Um levantamento revelou que 13 das 16 cidades-sedes registraram aumento de pelo menos 80% nas tarifas médias de hospedagem em comparação com o ano anterior

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Copa enfrenta esvaziamento em cidades-sede, com hotéis abaixo da expectativa e ingressos encalhados rep. publ. internet

Menos de um mês antes do início da Copa do Mundo de 2026, algumas cidades-sede nos Estados Unidos, Canadá e México enfrentam um cenário bem diferente do entusiasmo esperado.

Hotéis relatam ocupação abaixo das previsões iniciais e milhares de ingressos ainda permanecem disponíveis para diversas partidas, levantando dúvidas sobre o impacto econômico do maior Mundial da história.

O torneio, organizado pela FIFA, contará com 48 seleções, 104 partidas e será disputado em 16 cidades da América do Norte. Apesar da dimensão inédita do evento, os elevados preços de hospedagem e ingressos parecem estar afastando parte dos torcedores.

A FIFA, no entanto, afirma que a procura continua forte. Segundo a entidade, mais de 5 milhões de ingressos já foram vendidos. O presidente da organização, Gianni Infantino, destacou durante o congresso da FIFA em Vancouver que houve cerca de 500 milhões de solicitações de ingressos, número dez vezes superior ao registrado nas duas últimas Copas somadas.

Mesmo assim, o mercado mostra sinais de desaceleração. Em algumas partidas da fase de grupos, os preços de revenda caíram para menos de US$ 100, enquanto diversos jogos ainda possuem mais de mil ingressos disponíveis.

A situação chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado sobre o valor de aproximadamente US$ 1.000 para assistir à estreia da seleção americana contra o Paraguai, em 12 de junho, respondeu: “Eu também não pagaria isso, para ser sincero”.

Uma pesquisa recente da American Hotel and Lodging Association apontou que 80% dos hotéis consultados relataram reservas abaixo das projeções iniciais.

A associação atribui parte do problema à própria FIFA, alegando que a entidade reservou blocos de quartos muito acima da demanda real. Segundo a presidente da organização, Rosanna Maietta, os hotéis passaram anos se preparando para o torneio, mas diversos fatores acabaram reduzindo o entusiasmo inicial.

Em Houston, considerada uma das sedes mais acessíveis da competição, o aumento nas reservas tem sido modesto. O presidente da Houston First Corporation, Michael Heckman, afirmou que as reservas para junho estão apenas 9% acima do normal para o período.

O diretor do tradicional Lancaster Hotel revelou que esperava ocupação total a esta altura, algo que ainda está longe de acontecer.

Em Seattle, a situação é semelhante. Proprietários de hotéis relatam ocupação inferior à registrada no mesmo período do ano passado. Anne Johnson, dona do State Hotel, classificou os resultados como frustrantes.

Em Atlanta, proprietários de acomodações também relatam dificuldades. Um anfitrião do Airbnb afirmou nas redes sociais que seu imóvel, localizado próximo ao estádio, ainda não recebeu reservas relacionadas à Copa, apesar de normalmente registrar lotação em grandes eventos.

Além disso, Atlanta lidera a lista de cidades com mais ingressos ainda disponíveis, ultrapassando 5 mil entradas à venda.

Canadá e México mantêm otimismo

Apesar da falta de uma explosão na demanda, autoridades de Toronto seguem confiantes no impacto positivo do Mundial. A expectativa é que a taxa de ocupação hoteleira alcance cerca de 80% durante junho e julho.

Já em Vancouver, especialistas apontam fatores externos como obstáculos ao turismo internacional, incluindo conflitos geopolíticos e tensões diplomáticas entre Estados Unidos e Canadá.

No México, os preços dos hotéis dispararam, mas a ocupação ainda estava entre 25% e 30% no início da primavera. Mesmo assim, representantes do setor afirmam que muitos visitantes costumam reservar hospedagem apenas nas semanas que antecedem o evento.

Um levantamento revelou que 13 das 16 cidades-sedes registraram aumento de pelo menos 80% nas tarifas médias de hospedagem em comparação com o ano anterior.

O caso mais extremo foi o de Guadalajara, onde quartos que custavam cerca de US$ 90 por noite passaram a ser anunciados por aproximadamente US$ 511.

Nos Estados Unidos, Boston lidera o ranking de hospedagens mais caras, com diária média de US$ 611. Houston aparece como a opção mais barata, com média de US$ 205 por noite.

FIFA defende política de preços

A Copa de 2026 é a mais cara da história do torneio. Pela primeira vez, a FIFA adotou um sistema de preços dinâmicos, no qual os valores variam de acordo com a procura em tempo real.

A medida tornou o evento menos acessível para torcedores comuns. A entidade, porém, argumenta que manteve opções populares, com ingressos a partir de US$ 60 para partidas da fase de grupos.

Segundo a FIFA, toda a receita gerada pela Copa é reinvestida no desenvolvimento do futebol masculino, feminino e de base em suas 211 associações filiadas.

Analistas do setor hoteleiro acreditam que a situação pode mudar rapidamente caso seleções populares avancem às fases eliminatórias. Equipes como Argentina, Inglaterra, França e Espanha costumam mobilizar grandes contingentes de torcedores em viagens internacionais.

A Copa do Mundo de 2026 terá início em 11 de junho, com a partida entre México e África do Sul, e será encerrada em 19 de julho. Enquanto isso, organizadores e setores ligados ao turismo seguem apostando que a procura crescerá à medida que o torneio se aproximar.




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