Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Hezbollah após falar com Netanyahu

Israel ampliou sua ofensiva dias após a captura do castelo de Beaufort, no sul do Líban

DCM
Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Hezbollah após falar com Netanyahu rep. publ. internet

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (1º) que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com representantes do Hezbollah para tentar conter a escalada do conflito no Líbano.

Segundo o presidente norte-americano, um cessar-fogo já está em vigor e houve compromisso das duas partes para interromper ações militares. Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que Netanyahu concordou em não avançar com tropas israelenses em direção à capital libanesa.

“Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelense, Bibi Netanyahu, e não haverá tropas a caminho de Beirute. Quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de entrar”, escreveu.

O presidente dos EUA também afirmou ter mantido contato indireto com integrantes do Hezbollah por meio de representantes. Segundo Trump, houve concordância para a interrupção dos ataques entre os dois lados.

“Da mesma forma, por meio de representantes de alto escalão, tive uma conversa muito boa com o Hezbollah, e eles concordaram que todos os disparos cessarão — que Israel não os atacará e que eles não atacarão Israel”, publicou.

O anúncio ocorreu poucas horas depois de novas ações militares israelenses no Líbano. Mais cedo, Netanyahu e o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciaram bombardeios contra áreas do sul de Beirute ligadas ao Hezbollah. O governo israelense justificou a operação alegando violações do cessar-fogo por parte do grupo.

Em comunicado conjunto, os dois dirigentes afirmaram que deram “instruções ao Exército para atacar alvos terroristas” após “as repetidas violações do cessar-fogo no Líbano por parte da organização terrorista Hezbollah e dos ataques contra nossas cidades e cidadãos”.

Israel ampliou sua ofensiva dias após a captura do castelo de Beaufort, no sul do Líbano. A tomada da fortificação histórica, construída durante as Cruzadas, foi descrita como a incursão israelense mais profunda em território libanês em 26 anos.

Enquanto isso, o Irã elevou o tom contra Washington e condicionou qualquer avanço diplomático ao fim das operações militares no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou que “Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra”.

“Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã. As violações do cessar-fogo são, por si só, indicativas de má conduta e má-fé por parte dos EUA e apenas intensificam a desconfiança existente, que, com razão, deve sempre permanecer em nossas mentes, em qualquer interação com o lado americano”, declarou Baghaei.

As críticas foram reforçadas pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Em publicação na rede X, ele afirmou: “O bloqueio naval imposto pelos EUA e a escalada dos crimes de guerra no Líbano por Israel são evidências claras do descumprimento do cessar-fogo pelos EUA”.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, as negociações atuais com Washington têm como prioridade o encerramento da guerra regional. “Não aconteceu nenhuma negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra”, afirmou Baghaei.




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